O ministro da Saúde britânico disse este sábado que novas restrições devido à pandemia só deverão ocorrer "como último recurso" em Inglaterra, apesar do aumento de casos da variante Ómicron, e afirmou ser preciso aprender a "viver" com o SARS-CoV-2.

O Reino Unido, um dos países mais afetados pela pandemia de covid-19, com mais de 148.600 mortes, está a registar todos os dias recordes de contaminações (mais de 189.000 na sexta-feira).

As hospitalizações também estão a aumentar, embora as autoridades enfatizem que, por enquanto, a variante Ómicron do coronavírus parece causar formas menos graves da doença covid-19 em relação à variante Delta.

“O número [de pessoas] nos cuidados intensivos está estável e não segue, por enquanto, a trajetória que vimos no ano passado neste período, durante a onda da variante Alpha”, disse o ministro Sajid Javid, numa coluna publicada no jornal Daily Mail.

Com o país "numa posição muito mais forte" devido a uma campanha massiva de reforço da vacina contra a covid-19, o Governo decidiu não impor novas restrições durante as festas de fim de ano em Inglaterra, ao contrário do que ocorreu na Escócia, no País de Gales e na Irlanda do Norte.

"As restrições à nossa liberdade deveriam ocorrer apenas como último recurso", acrescentou Javid ao jornal.

O ministro britânico sublinhou "o enorme custo dos confinamentos para os setores sanitário, social e económico", considerando que se pode dar os meios para "viver com o vírus" devido à vacinação, a um arsenal de tratamentos e a um rastreio massivo.

O ministro admitiu, porém, que o serviço de saúde estará "inevitavelmente" sob pressão nas próximas semanas devido ao "aumento acentuado" das hospitalizações.

O jornal Daily Telegraph indicou hoje que o Governo britânico poderia estender a recomendação para o teletrabalho, em vigor desde meados de dezembro, para janeiro.

Para o Ano Novo, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, afirmou ter alcançado a meta oficial de oferecer uma dose de reforço a todos os adultos até ao final de dezembro, embora mais de 70% a tenham recebido na Inglaterra.

De acordo com um estudo da British Health Safety Agency (UKHSA) publicado na sexta-feira, os pacientes infetados com a variante Ómicron que receberam uma vacina de reforço têm um risco 81% mais reduzido de serem hospitalizados em comparação com as pessoas não vacinadas.

Perante o aumento dos internamentos, o serviço público de saúde britânico anunciou que está a montar estruturas provisórias para abrir centenas de camas, para se preparar para o "pior cenário".

/ RL