Manuela Ferreira Leite teme que a descentralização de algumas competências para os municípios seja “um caminho sub-reptício” para a regionalização.

Para a comentadora da TVI24, o “maior argumento contra” a regionalização é a “criação de órgãos políticos intermediários entre o Governo e as autarquias”.

“É um peso orçamental e significa um aumento da classe política. Acho o país demasiado pequeno para que possa ser regionalizado.”

Além disso, Ferreira Leite defende que a distribuição de riqueza entre as regiões seria “bastante mais complicada”, beneficiando as regiões mais ricas e prejudicando as mais pobres.

A ex-líder do PSD considera que o adiamento da transferência de competências “é uma boa notícia”.

“A pior coisa que poderia acontecer é que a descentralização fosse feita durante a campanha das autárquicas. Acho que é o período mais desajustado.”

Manuela Ferreira Leite especificou que, no caso da descentralização do IMI, terá de haver nas autarquias “técnicos capazes de fazer avaliações” e receia que a medida possa “criar alguma desigualdade de critérios entre os diferentes concelhos”.

Sobre as multas de estacionamento, cujas receitas poderão também passar para as autarquias, a comentadora considera “altamente perverso” que haja um incentivo à multa e que esta transferência coloque as forças policias “a competir” por essa receita.