Paulo Portas analisou, este domingo, no seu habitual espaço de comentário, as consequências da exclusão de Portugal do corredor aéreo do Reino Unido.

Questionado sobre a justiça da decisão, o comentador da TVI foi claro.

Justa não é de certeza, atendendo às relações diplomáticas intensas que Portugal tem com o Reino Unido. E também com o facto de haver países que passaram politicamente o critério que chumbou o caso português”, sublinhou.

No entanto, Paulo Portas rejeita a noção de que se trata de uma decisão absurda, uma vez que Portugal tem “efetivamente um problema”.

Quem tem de resolver esse problema somos nós e não o Reino Unido por nós”, frisou.

Mas, assinalou Paulo Portas, proporcionalmente, os números de Portugal são muito melhores do que os do Reino Unido. 

Se eu fosse inglês, teria vergonha do número de fatalidades no Reino Unido”, afirmou o comentador.

Sobre se faria sentido uma retaliação diplomática ao Reino Unido, Portas remeteu para o futuro, dizendo que Portugal até pode perdoar, mas não deve esquecer o gesto britânico.

Outro dos temas abordados por Paulo Portas foi a TAP, que passou a ser detida maioritariamente pelo Estado.

O antigo líder do CDS-PP considerou a proposta de nacionalização como “catastrófica” para o país, referindo que traria graves problemas de reputação a Portugal. No entanto, a solução da insolvência também não agrada.

Da insolvência, um pouco aquela memória que temos da Swiss Air. Fecho a empresa, mas abro ao lado com menos problemas e menos pessoas. Sucede que da empresa falida para a nova não migram as rotas. E as rotas são um dos mais importantes ativos de uma empresa”, explicou.

A solução que restava era a da capitalização que, segundo Portas, tem diversos problemas.

Há um concurso internacional para arranjar a gestão, mas alguém vai ter de fazer o plano dos próximos seis meses”, disse.

Outra das questões levantadas pelo comentador foi quanto às intenções do Governo.

Ninguém sabe se o primeiro-ministro toma conta da TAP para mais tarde a colocar no mercado, ficando com uma participação. Ou se quer ficar o proprietário maioritário da TAP para sempre”, sublinhou.

Houve ainda espaço no comentário semanal de Paulo Portas para a analisar a recente recuperação económica dos Estados Unidos, que recuperaram 4.8 milhões de empregos no mês de junho.

A economia americana retirou 7.4 milhões de pessoas do desemprego em dois meses. Que economia europeia tem o dinamismo de conseguir, depois de cair imenso, começar a levantar-se com esta força?”, salientou.

/ JGR