O início desta semana fica marcado pela polémica em torno da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca, depois de terem sido reportados alguns casos de reações adversas em pessoas vacinadas na União Europeia. Na sequência dos casos, vários países, entre eles Portugal, decidiram suspender de forma total a vacinação contra a covid-19 com o produto desenvolvido pela farmacêutica anglo-sueca.

Para Fernando Medina, este processo é visto com "preocupação", uma vez que é "completamente contraditório": "As entidades reguladoras do medicamento, entre os países e a nível europeu, parece que não se entendem minimamente sobre a vacina".

Para o comentador, estas decisões das diferentes agências do medicamento dos países europeus são precipitadas, até porque a Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla original) continua a dizer que não vê razões para a suspensão.

Lembre-se que já foram vacinadas mais de 17 milhões de pessoas com a vacina da AstraZeneca na União Europeia. De todos estes casos, apenas em cerca de 40 se registaram reações adversas, que vão desde alergias graves a episódios de trombose.

Segundo Fernando Medina, as instituições estão a tomar decisões contrárias, numa altura em que os cidadãos confiam nelas para a tomada de uma melhor decisão.

Quando vejo a EMA dizer que não há qualquer prova de ligação entre a vacinação e os casos, porque é que se suspendeu?", questiona.

O analista lembra que este episódio pode também gerar consequências na vacinação posterior, mesmo que se venha a concluir que não há relação entre os casos e a vacinação com AstraZeneca.

Diz Fernando Medina que os cidadãos podem ficar desconfiados da vacina, e que podem assim rejeitar vir a ser vacinados com o produto daquela farmacêutica.

O ato de cancelar a vacina é, em si, um ato de desconfiança tal, que não se pode invocar o princípio de precaução", acrescentou.