Quando vejo que qualquer estagiário de jornalismo tem o despacho do Ministério Público sobre o tráfico de diamantes, penso na  procuradora Fernanda Pêgo, que manda espiar na rua os jornalistas que prevaricam, como, de resto, se orgulhou publicamente: "Não foi nas vossas casas, pois não?!" Acontece que é a dra. Pêgo quem dirige o departamento do Ministério Público onde sempre tudo acontece - o que deve ser doloroso, imagino. Darmos tudo, numa guerra sem quartel contra as violações do segredo, e a granada acabar, sempre, por nos rebentar nas mãos. 

Desta vez, diga-se, com um estrondo quase sem precedentes. Eu quando era estagiário, vai para quase 20 anos, não tinha despachos do DIAP de Lisboa, ainda a fumegar, ao fim de dois dias de uma operação. Se isto já é assim, qualquer dia sou eu que não tenho emprego. 

Felizmente, no DIAP da dra. Pêgo vigora o célebre princípio da legalidade, em que nenhum crime ficará por perseguir. E todos serão tratados de igual forma perante a lei. Ao pensar nisso, os meus olhos brilharam: se por duas noticias e meia dúzia de pormenores sobre a detenção de um assessor do Benfica houve espionagem, buscas à PJ, contas bancárias devassadas e o nome de um coordenador da PJ arrastado na lama durante anos, desta vez dão uma lição de vida aos estagiários que até sabem quantos quilates de diamantes o sargento Nazaré escondia nas meias (!). Isto vai meter escutas, buscas a casa dos pais e internamento em centros educativos. Só arguidos, pelas notícias que tenho lido numa semana, em que fizeram de um processo do DIAP um queijo suíço, já contei uns 30. 

P.S. - O despacho dos diamantes que, a esta hora, já deve ir no YouTube, não é da mesma procuradora que me investiga por ter noticiado, há um ano e meio, que um desgraçado ucraniano foi assassinado no aeroporto de Lisboa?

Henrique Machado