Miguel Sousa Tavares analisou, esta segunda-feira, no Jornal das 8, da TVI, o início do julgamento do processo do ataque à academia de futebol do Sporting, em Alcochete, que conta com 44 arguidos.

Questionado sobre se iria, ou não, ser difícil provar a tese do Ministério Público – de que Bruno de Carvalho sabia, e estava por trás, de todo o ataque à academia e aos jogadores -, Miguel Sousa Tavares disse que “vai depender das testemunhas”.

Vai depender das testemunhas. Vai depender daquilo que André Geraldes, braço-direito de Bruno de Carvalho, falar. Bruno Jacinto já falou e, pelos vistos, não confirmou”.

O comentador da TVI disse que não sabia se o antigo presidente do Sporting iria ser judicialmente considerado o autor moral, mas não tem dúvidas de que, em termos éticos, “é o responsável moral pelo clima que se instalou em Alvalade e que conduziu ao episódio de Alcochete”.

Mesmo que não tivesse acontecido o que aconteceu em Alcochete, ele jogou sempre as claques como guarda pretoriana dele contra os jogadores”.

Na ótica de Sousa Tavares, Bruno de Carvalho justificou sempre os maus resultados do clube com os jogadores e os treinadores:

Bruno de Carvalho estava bêbado e enlouquecido com ele próprio” e acrescenta "deitou tudo a perder por um excesso de vaidade, por uma falta de humildade e porque, de facto, não estava talhado para aquilo”.

Sindicato dos Polícias: "Nós já não acreditamos naquilo que nos é proposto”

Peixoto Rodrigues, Presidente do Sindicato Unificado da Polícia, foi entrevistado por Miguel Sousa Tavares e Pedro Pinto a propósito da manifestação das forças de segurança agendada para quinta-feira.

São esperados 17 mil polícias em protesto em frente à Assembleia da República, que Peixoto Rodrigues entende não ser uma “exibição de força” dos polícias perante os políticos, mas sim uma “exibição de descontentamento”.

Não nos estamos a referir ao último Governo ou ao presente. Todos eles, nos últimos anos, têm ignorado os problemas dos polícias no que toca a investimentos em termos de instalações, equipamentos de proteção individual e resolução de problemas remuneratórios”.

Questionado se tinha perdido a confiança em Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, o presidente do Sindicato disse que “não se trata de perder a confiança, trata-se de nós já não acreditarmos naquilo que nos é proposto”.

A nossa esperança perdeu-se e, portanto, nós queremos é resultados rápido e concretos em relação à carreira policial”.

Quanto ao subsídio de risco de querem ver atribuído, Peixoto Rodrigues alegou que, desde janeiro, já foram agredidos pelo menos 400 elementos da Polícia de Segurança Pública.

Nesse sentido, Miguel Sousa Tavares questionou se não faria mais sentido as forças de segurança manifestarem-se em frente ao Supremo Tribunal de Justiça ao invés da Assembleia da República, uma vez que os magistrados deveriam ter uma mão mais pesada para quem comete este tipo de crime. 

"Englobamento dos rendimentos prediais no IRS vai matar de vez o mercado do arrendamento”

O Governo está a trabalhar para avançar com o englobamento dos rendimentos prediais do IRS, mas será preciso esperar pelo Orçamento do Estado para 2020 para perceber em que consiste esta medida.

Miguel Sousa Tavares, colocando de parte o ponto de vista da justiça fiscal, e focando-se no ponto de vista de económico considera que “o Governo está a cometer um erro que pode virar o bico ao prego”.

Relembra ainda que quando existem demasiados impostos, isso costuma matar o imposto.

O que se passa é que, o englobamento dos rendimentos prediais no IRS, vai matar de vez o mercado do arrendamento”.

O comentador relembra que Portugal não tem mercado de arrendamento, porque os portugueses são “mais proprietários de casa, não porque queiram, mas porque não têm alternativa no mercado de arrendamento”.

Com esta medida, o Governo afasta qualquer pessoa que queira ser senhorio”.

Muçulmana impedida de jogar basquetebol: "Portugal inteiro apoia-a, eu não"

 

Fatima Habib, basquetebolista muçulmana sub-16 do CB Tavira, que tinha sido impedida de jogar no encontro frente ao Imortal Basquetebol Clube de Albufeira por se recusar a despir a camisola que tinha vestida debaixo do equipamento, para não mostrar os braços, já tem novo equipamento.

Miguel Sousa Tavares mostrou-se contente por Fatima “estar a fazer aquilo que mais gosta” e considerou “estúpido” esta não poder jogar basquetebol “por uma questão de indumentária”.

No entanto, discorda do pai: “Portugal inteiro apoia-a, eu não. Eu não porque acho que agora é que ela está a ser descriminada em relação às colegas dela”.

Ela vive de acordo com as nossas leis. Tal como eu quando estou num país muçulmano, me descalço para entrar numa mesquita. Por respeito pelas leis deles e não revindico o direito de me comportar de maneira diferente. Portanto, eu aqui, acho que ela tem de se portar de acordo com as nossas regras”.