Miguel Sousa Tavares analisou, no espaço de comentário semanal do Jornal das 8, desta segunda-feira, as sanções dos Estados Unidos ao Irão, o corte da Google com a Huawei, a campanha para as eleições europeias a uma semana do dia D e ainda o final da Taça de Portugal de 1969 no Estádio do Jamor, que foi palco para o maior comício realizado antes do 25 de abril.

Miguel Sousa Tavares considera que o presidente dos Estados Unidos está a fazer de tudo para ajudar a economia mundial, mas com um plano que faz de Donald Trump um "louco à solta".  

O que é mau para a economia mundial, pode ser bom para a economia americana. Em termos de política externa, é um perigo à solta. É um louco à solta este presidente americano”

Numa altura em que as divergências entre os Estados Unidos e o Irão ganham cada vez mais dimensão, o comentador da TVI criticou a subtileza com que Trump ameaçou fazer desaparecer do mapa um país com 77 milhões de pessoas.

A facilidade com que ele diz que vai erradicar do mapa um país com 77 milhões de pessoas e depois a ignorância, e a arrogância, com que ele fala de um país que tem 5 mil anos de história, não tem 250 como os Estados Unidos da América, fazia bem ao presidente aprender alguma coisa sobre história”

O chefe da diplomacia iraniana respondeu ao presidente americano, sugerindo que use respeito pelo seu país, em vez de provocações genocidas. Miguel Sousa Tavares afirma que o desfecho deste conflito é o início de uma guerra e critica a imparcialidade inexistente, em termos do programa nuclear, com o Irão e a Coreia do Norte.

Fez tudo ao contrário. Rasgou o acordo de garantia que um país não se tornava nuclear, e o outro, que já fez dois acordos falhados, dá-lhe palmadinhas nas costas, diz que adora o Kim e a Coreia do Norte continua com capacidade nuclear. Isto é uma política de loucos”.

Google corta relações com Huawei

Outro dos temas que esteve na ordem do dia foi a decisão da Google de cortar relações com a Huawei. Miguel Sousa Tavares e Pedro Veiga, professor catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, estiveram a debater as consequências desta decisão.

Pedro Veiga afirma que ainda não é completamente claro qual vai ser a extensão das consequências desta decisão, mas alerta para alguns dos possíveis problemas, como a impossibilidade “de fazer atualizações a partir da loja central da Google (PlayStore)”. Ainda assim, acredita que daqui a algum tempo a Huawei vai dar a volta por cima e vai criar a sua própria loja central. Vê isso como algo positivo porque significaria “mais diversidade e mais margem de escolha” alternativa às aplicações da Google.

Num esclarecimento sobre do que é que desconfiam os americanos em relação às empresas chinesas, o professor esclarece.

Eles desconfiam que o software que equipa os telemóveis, mas especialmente os equipamentos de rede da Huawei, por onde passam todos os pacotes da internet, têm uma porta de retaguarda onde são feitas cópias de todas as comunicações, e é enviada para a China para eles poderem observar as comunicações”

O principal objetivo de Trump com este cerco montado à Huawei passa por dar tempo às empresas americanas de ganhar a corrida ao 5G.

Eleições Europeias

A uma semana das eleições europeias, Miguel Sousa Tavares admite que tem alguma dificuldade em explicar a ele próprio o porquê de ir votar e em quem. 

Felizmente que ainda falta uma semana, porque se fosse só o que está até aqui, eu diria que, eu pessoalmente, tinha as maiores dificuldades em explicar a mim próprio por que é que ia votar”

No entanto, acrescenta que nunca falhou nenhuma eleição, sempre votou, e é “violentamente contra a abstenção, porque custou muito a ganhar eleições livres”.

Já votei em branco muitas vezes, mas vou lá sempre”

Deixou duras críticas aos cabeças de lista que têm andado nas ruas a apelar ao voto, dizendo que não ouviu falar em Europa ao longo da campanha e que, por isso mesmo, em termos de projeto europeu, compreende que as pessoas não saibam em quem votar no próximo dia 26 de maio.

Por fim, houve ainda tempo para falar sobre o facto de, no final da Taça de Portugal em 1969, o Estádio do Jamor ter sido palco para o maior comício realizado antes do 25 de abril. Toni, treinador de futebol, e Mário Campos, médico e antigo jogador da académica, também marcaram presença no espaço de comentário semanal de Miguel Sousa Tavares no Jornal das 8, desta segunda-feira.