Paulo Portas analisou, no espaço de comentário "Global", que assina todos os domingos, no Jornal das 8 da TVI, o acordo comercial entre a China e os Estados Unidos, as previsões que vão ser reveladas no Fórum Económico Mundial 2020, conhecido como Davos, a reforma constitucional de Vladimir Putin e o novo governo em funções espanhol. 

Questionado sobre se a economia mundial poderia agora respirar de alívio relativamente à trégua comercial entre a China e os Estados Unidos, Paulo Portas respondeu de forma pragmática.

Eu acho que sim. Como sou pragmático eu acho que prefiro paz a uma trégua, mas se eu não puder ter a paz já, prefiro uma trégua a ter uma guerra". 

Explicou que isso dá alguma previsibilidade à economia mundial e, dentro do possível, alguma estabilidade. Disse ainda que a primeira fase deste acordo comercial agora alcançado revela três coisas. 

Primeiro que Trump prefere apresentar-se aos americanos como alguém que jogou duro e conseguiu alguma coisa. Acha que isso é mais vantajoso para ele do que continuar a guerra das tarifas, que encarece os produtos, e pode prejudicar empresas americanas. A segunda coisa que me parece evidente, é que a economia americana resistiu melhor do que a chinesa a este ano e meio de escalada de tarifas. E a terceira coisa que é interessante, é que eu acho que na cabeça dos dirigentes chineses esteve uma pergunta, que é uma pergunta essencial em relações internacionais: o que é que eu posso fazer para que Trump se acalme?"

Acrescentou que se trata de um acordo mais favorável para os Estados Unidos do que para a China, em termos faciais, e que a Europa não ficou satisfeita porque, enquanto existisse tensão, "a Europa era candidata a vender mais à China e aos Estados Unidos, em cada um dos setores".

Para concluir, mas voltando um pouco à questão inicial, Paulo Portas disse que "o Mundo está, em termos económicos, menos pessimista do que em 2019 e não está tão otimista como estava em 2018"

O próximo tema tinha que ver com o Fórum Económico Mundial, conhecido como Davos, que se vai realizar entre os dias 21 e 24 de janeiro, precisamente, em Davos, na Suíça. Este fórum revela algumas previsões económicas, neste caso, para este ano. Para o comentador da TVI, Portugal deve ficar preocupado com a revisão em baixa da economia espanhola.  

Espanha é uma extraordinária economia, tem um dos maiores bancos do mundo, tem um dos homens mais ricos do mundo, mas quer dizer, tem de se ter alguma estabilidade e alguma previsibilidade. E a verdade é que Espanha está a ter revisões em baixa sucessivamente".

Ainda em território espanhol, fez agora uma semana e meia que está em função o novo governo e Portas mostrou-se preocupado uma mudança no executivo.

Imagine que em Portugal um primeiro-ministro nomeava a ministra da Justiça para procuradora geral da República? Foi o que aconteceu em Espanha". 

Na perspetiva do comentador da TVI isto representa "uma degradação dos princípios básicos do estado de direito, nomear uma pessoa que foi responsável pela justiça até há dois dias, para procurador geral da República. E isso significa muito provavelmente que a Procuradoria-Geral da República em Espanha vai ser utilizada para esta nova política com os catalães". 

Sobre Vladimir Putin, que teria de abandonar o cargo de presidente da Rússia em 2024, Paulo Portas disse que este "surpreendeu toda a gente" com a reforma constitucional, que vai reforçar o parlamento e o primeiro-ministro.

O que é razoável dizer sobre Putin, independentemente da crítica que pode ser severa aos meios que ele utilizou, ele evitou que a desagregação da União Soviética fosse também a desagregação da Rússia".

Portas relembrou que se olharmos para o milénio da história da Rússia, esta não tem um ano de democracia e, por isso mesmo, sempre gostou de líderes fortes.

Já nas habituais notas finais, Paulo Portas destacou a edição recente e em português de um livro que explica o que aconteceu com Fernão de Magalhães (A Primeira Viagem em Redor do Mundo, de António Pigafetta) e ainda o centenário de Federico Fellini.