No dia em que arranca em Nova Iorque a Cimeira de Ação Climática, convocada pelo secretário-geral da ONU António Guterres, o ambiente foi precisamente o tema central do Jornal das 8. Miguel Sousa Tavares diz que ainda é preciso passar das "belas palavras" de que falava António Guterres à ação concreta na luta contra as alterações climáticas, antes que a situação de "emergência climática descambe na situação de pânico climático, porque o pânico é inimigo da lucidez".

Continuamos a apostar num tipo de desenvolvimento poluidor", sublinhou, enumerando, por exemplo, o crescimento descontrolado das grandes cidades ou a aposta em culturas de regadio ou que levam aos incêndios. 

O padrão de vida tem que mudar e não há um governo que se atreva a dizer isto às pessoas", destacou Miguel Sousa Tavares, acrescentando que o desafio se coloca às novas gerações. "Quero saber se a nova geração está disposta a abdicar dos gadgets e do modo de vida que tem", afirmou. 

Júlia Seixas, professora e investigadora na área da energia e das alterações climáticas, uma das autoras do Roteiro para a Neutralidade Carbónica, foi a entrevistada desta segunda-feira, falando especificamente sobre a situação portuguesa e as medidas necessárias para a neutralidade carbónica que está prevista para 2050.

Sublinhando que as políticas públicas têm um papel fulcral para que esta meta seja atingida, a professora diz que, em Portugal. ainda subsidiamos quem polui, acrescentando que a neutralidade carbónica irá custar cerca de 85 mil milhões de euros às empresas e famílias portuguesas.

São precisas políticas públicas que conduzam a economia nesse sentido", sublinhou a especialista.

No tema das eleições legislativas, Miguel Sousa Tavares ressalvou que a prestação de Rui Rio nos debates já realizados é a razão da subida das intenções de voto no PSD, dizendo que o embate desta segunda-feira entre Costa e Rio terá sido o menos abrangente.

Destacou o tema da educação, onde os candidatos de PS e PSD apresentaram maiores diferenças, e referiu também que Rui Rio não tem previstos mais aumentos na função pública do que os já avançados pelo PS, porque os social-democratas querem poupar na despesa do Estado para aliviar impostos.