A polémica em torno das forças armadas tem sido um dos principais destaques do debate público. Se por um lado, Aníbal Cavaco Silva, Ramalho Eanes e dezenas de antigos chefes militares já criticaram publicamente o decreto, por outro PS e PSD parecem estar dispostos a viabilizar o diploma.

Maria João Avillez considera que este tema é muito mais do que uma polémica e que esta reforma “não foi completamente explicada ao país”.

Mais do que uma polémica é um assunto muito sério, porque quando vemos uma discordância da parte de todos os chefes militares, desde abril de 1974, e quando vemos dois ex-presidentes da república discordar também, veemência, desta reforma temos de parar para pensar. O assunto é sério. Nada justificaria que tantos chefes se juntassem para manifestar a sua discordância”, refere Maria João Avillez.

 

Na terça-feira, o coordenador do PSD para a defesa nacional defendeu a reforma das forças armadas, lembrando que esta já ocorreu em todos os países europeus, com exceção de Portugal e Grécia.

Maria João Avillez acredita que "não se pode falar de um só modelo" adaptável a todos os estados-membros da União Europeia, dadas as discrepâncias entre todas estas forças bélicas.

A comentadora da TVI acrescenta existe "um caminho que deveria ter sido feito e não foi”, lembrando algumas lacunas conhecidas das forças de defesa nacional portuguesas.

O Alfeite está, praticamente, fora de combate. Há fragatas que não vão ao mar, porque não têm peças. Os submarinos não submergem. São precisos muitos mais efetivos do que aqueles que há e não suficientes meios financeiros para os chamar para as fileiras das forças armadas”, explica a comentadora.

Maria João Avillez acredita que PSD "não esteve nada bem" ao colocar-se ao lado do PS na reforma das forças armadas. A comentadora acrescenta que Rui Rio não entendeu a importância deste assunto e deixou-o a cargo de "alguém que se sabia à partida que ia ter uma anuência com o PS", referindo-se ao coordenador do PSD para a defesa nacional, Ângelo Correia.

As críticas dirigidas ao líder social-democrata estenderam-se ao seu método de liderança. Maria João Avillez diz que “Rui Rio é vítima dele próprio, de uma liderança demasiado solitária e um pouco errática”.

Não se lhe pede o mesmo que a um deputado ou militante do partido. Pede-se-lhe autoridade, coerência e rumo. Nesse sentido é que há uma responsabilidade acrescida quando se é líder do maior partido da oposição”, culmina Maria João Avillez.

Nuno Mandeiro