No habitual espaço de comentário de Paulo Portas, o comentador sugeriu que existem divergências entre o Governo e a Direção-Geral de Saúde (DGS) sobre o problema dos rastreadores para a covid-19.

Há uma parte do Governo que quer ir buscar funcionários públicos com uma certa qualificação para ajudar na tarefa de rastreio. O que me preocupa é que a DGS parece ser contra e não ter noção da exiguidade dos meios que nós temos", afirmou Paulo Portas.

O comentador sublinhou ainda que o confinamento tem dado resultados, destacando que são precisos critérios fixos para perceber o estado pandémico do país.

De facto, diz, “o confinamento resultou e permitiu uma descida de contágios muito significativa no último mês, sendo que, na última semana, foram registados 3.600 casos médios diários”. Em Global, Portas diz ainda que a tendência de descida verificou-se também na mortalidade.

O estado de emergência valeu a pena, não havia outra forma de travar o desastre. Permite registar a queda, e o medo evidentemente desempenhou o seu papel, sendo que as pessoas testemunharam a exaustão dos serviços de saúde e contiveram-se”, diz o comentador, realçando que os números permitem encarar o futuro de outra maneira.

 

Apesar da tendência de descida, Paulo Portas verifica que, em termos europeus, Portugal continua a pagar um difícil erro reputacional, acompanhado por um sentimento de injustiça registado por quem está na linha da frente.

Ainda assim, Portugal regista o triplo da média da União Europeia em termos de óbitos 

Começámos a descer, mas não saímos do primeiro lugar dos países listados como nações que ainda não conseguiram ter a pandemia controlada”, diz, sublinhando que o nosso país é acompanhado pela República Checa e Espanha nestes valores. No outro lado do espectro está a Alemanha.

Paulo Portas argumenta ainda que o primeiro-ministro passou de “relaxador-mor a assustador-mor” e que esta oscilação levou a que Bruxelas não esteja inclinada a “mostrar Portugal”, um fator que penaliza a presidência do Conselho da UE.

O comentador destaca, por outro lado, que é preciso aprender com os erros e traça quatro momentos distintos que ditam a situação vivida pelo país de momento.

Com a primeira vaga em março e com o medo do desconhecido, o primeiro-ministro foi forçado a encerrar as escolas. “Um dos fatores de análise foi as testagens e nós tivemos bons rácios”, sublinha o comentador, adiantando que “caímos muito” neste vetor.

Em maio, sentencia, “as coisas começaram a tropeçar”. 

Metemos na cabeça o disparate do milagre e o Governo passou dois meses a dizer que o critério de fechar fronteiras era disparatado. Não tínhamos rastreadores, o que nos impedia de testar massivamente”, sublinha.

 

 

No outono, argumenta Portas, “as coisas correram mal”: “O Governo disse que o SNS é só publico e que não fazia contratualizações com o setor do privado. Depois, verificámos uma escalada de internamentos em Unidades de Cuidados Intensivos. Também a app digital falhou e até hoje não sabemos de que lado estão as responsabilidades”. Esta altura foi também tempo da “vaga de grandes eventos artísticos e políticos, parecendo que tínhamos dois países, um com cuidado, outro com excentricidades”.

Ademais, no inverno, o relaxamento das medidas do Natal ditou a total rotura do SNS, explica Portas.

Dessa forma, Paulo Portas argumenta que, para a frente, é “preciso planear e não confiar no improviso”. Isso passa por “testar massivamente e ao mesmo tempo rastrear massivamente”, tal como a definição de critérios objetivos que iluminem as nossas decisões.