Manuela Ferreira Leite não tem dúvidas de que quem desencadeou "a ideia de uma hipotética crise política" foi o primeiro-ministro, quando excluiu o PSD de uma solução para a aprovação do Orçamento do Estado.

A comentadora da TVI24 também assumiu ter poucas dúvidas de que António Costa será o principal interessado numa crise política. 

Eu não sei se é, verdadeiramente, uma encenação. Teria poucas dúvidas em dizer que o primeiro-ministro muito gostaria que houvesse uma crise política e que dessa forma se pudesse ver livre da situação que vai ter de enfrentar no país. Não seria a primeira vez, porque o Partido Socialista tem muito essa tradição. Não nos esquecemos que, perante a evidência de uma crise, o engenheiro Guterres saiu, ao engenheiro Sócrates aconteceu-lhe o mesmo, portanto, o PS está pouco habituado a enfrentar governos que estão perante situações difícieis. E esta é uma delas. Não sei se, efetivamente, não gostaria, se houvesse uma crise política, que tivesse algum tipo de solução que não fosse tão penosa para o país, se o poderia fazer", afirmou Manuela Ferreira Leite, esta noite, na TVI24, no seu espaço semanal de comentário.

A antiga ministra das Finanças do PSD considerou, ainda, que "o Presidente da República tem atalhado e bem" esta hipótese, com génese em António Costa, que, na sua opinião, injustamente excluiu os sociais-democratas de uma solução.

Quem desencadeou a ideia de uma hipotética crise política foi o primeiro-ministro. Quando o primeiro-ministro afirma que no dia em que ele precisasse do PSD para o apoio à aprovação do Orçamernto o Governo tinha acabado, ele decretou a existência de uma crise política. Ele ficou totalmente nas mãos do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista. Portanto, está envolvido numa questão política difícil, em que ou chega a acordo com o BE e o PCP ou não tem outra solução, porque arredou dessa solução qualquer outra hipótese, como se o PSD fosse algum partido com o qual o país não pudesse contar, nem sequer para aprovar um orçamento, porque nessa altura o governo terminaria. Foi uma posição excessivamente partidária, bastante injusta para o PSD", criticou.

Manuela Ferreira Leite, antiga líder do PSD, também não tem dúvidas de que o seu partido viabilizaria um Orçamento do Estado em nome do interesse nacional.

Não tenho dúvida nenhuma de que o PSD tem esse sentido patriótico de ajudar a resolver os problemas do país. Agora, também é preciso para isso que haja um passo em direção ao PSD e um passo numa direção construtiva. Não é possível, depois do que afirmou António Costa, pensar que não tem nenhuma palavra em relação ao PSD. Tudo depende do conteúdo do Orçamento, de quais os ajustamentos que são suscetíveis de ser feitos e, com certeza, que, nessa circunstância, o PSD não deixaria de cumprir com aquilo que considerasse o interesse nacional."

Catarina Machado