Nesta segunda-feira, Miguel Sousa Tavares entrevistou, juntamente com Pedro Pinto, Assunção Cristas, líder do CDS-PP que, nas sondagens para as legislativas de outubro, apresenta uma percentagem muito próxima da do PAN.

Quando questionada se estava preocupada com este cenário, a líder centrista respondeu: “No CDS estamos habituados a lidar com sondagens que não nos são favoráveis, foi assim em toda a nossa história e isso não nos impede de trabalhar, obviamente com preocupação, mas com sentido de que está tudo à nossa frente”.

No decorrer da entrevista, Cristas admitiu que “a oposição desgasta” e que “é difícil ser oposição”. Na sequência desse desabafo, Miguel Sousa Tavares questionou se não existiu uma “oposição em excesso”, especialmente, no que toca às greves.

Se nós não tivéssemos perguntado ao Governo o que é que ia fazer, provavelmente as pessoas achariam estranho. Diriam que não há oposição ao Governo, como eu ouvi muitas vezes”, respondeu Assunção Cristas. 

Quanto ao momento político em que o CDS-PP decidiu apoiar a luta dos professores, alinhando-se ao PCP, ao BE e ao PSD, Cristas admitiu que essa decisão “baralhou os portugueses” e assumiu essa responsabilidade dizendo que o partido foi “incapaz de explicar qual era a proposta”.

A nossa proposta era simples, nós desde o princípio dissemos que queríamos ter a avaliação dos professores, que queríamos ter a revisão da carreira docente, a revisão das regras de aposentação, e que, portanto, até estaríamos disponíveis para considerar o tempo com tudo isto a ser negociado”.

Outro dos dos temas em cima da mesa, e que tem estado na ordem do dia, foi a entrega, esta segunda-feira, do pré-aviso de greve para 12 de agosto pelos motoristas de matérias perigosas. Miguel Sousa Tavares questionou qual seria a postura da líder centrista caso fosse primeira-ministra.

O que me incomoda é saber que há um setor que de repente surpreende todo o país e parece que ninguém deu por eles. E eu acho que isto é incapacidade do Governo” e afirma que teria apostado na prevenção desse cenário e que teria falado seriamente com os sindicatos.

Disse ainda que Portugal tem, neste momento, "a maior carga fiscal de sempre" e que isso "também afeta a área dos combustíveis”.

No caso dos camionistas toma outra proporção, porque eles mostraram que conseguem parar o país”.

 

Sobre a descida dos impostos, uma das propostas do CDS-PP para as legislativas, Assunção explica que quer descer o IRC para os 17%, uma vez que essa medida daria margem às empresas de crescer economicamente e criar mais postos de trabalho. Defendeu também que a folga orçamental existente deveria ser distribuída por todos os portugueses: 40% para pagar a dívida e 60% para baixar os impostos, o que representaria, a longo prazo, uma redução média de 15% do IRS para todas as famílias.

Pedro Pinto voltou ao tópico inicial da entrevista e perguntou a Assunção Cristas qual era o seu limite de sobrevivência.

Eu não estou muito preocupada com a minha sobrevivência política"

A líder do CDS-PP mostrou-se indiferente às sondagens que têm revelado um mau resultado eleitoral para o partido e alega que há de lutar sempre para os 116 deputados. A maioria necessária para poder governar em maioria.