No seu comentário habitual, Manuela Ferreira Leite destacou que a aprovação do Orçamento do Estado demonstra o que resta do acordo do Governo à esquerda e salienta que o resultado parlamentar “não foi obtido de graça”.

A comentadora afirma que nem só de números se faz o Orçamento, explicando a importância que os sinais políticos têm para incentivar o crescimento, para fomentar ou retrair as decisões dos empresários.

Os sinais que este Orçamento dá, numa situação de crise e de incerteza, ocorrem através de um acordo feito pelo PS e pelo PCP”, afirma Ferreira Leite, sublinhando que Portugal é o único país europeu que atribui um papel tão importante a um partido comunista.

A comentadora diz que o Governo está refém do PCP, referindo que esta é uma situação deliberadamente construída pelo primeiro-ministro que, efetivamente, “construiu este consenso quando um dia de manhã disse ‘se eu precisar algum dia do PSD, vou-me embora’”.

Colocou de lado o PSD e ficou refém do Bloco de Esquerda e do PCP. Era óbvio que o BE não ia embarcar numa aventura sem dinheiro e sem nada para dar”, afirmou Manuela Ferreira Leite.

 

Agora, o PCP dita as leis neste país”, afirma Manuela Ferreira Leite.

A comentadora destacou ainda a ausência de medidas para incentivo às empresas e de redução de impostos.

Tenho uma imensa preocupação de o ministro das Finanças ter dito que uma das medidas que ele tem como redução de impostos é a redução da retenção na fonte. Espero que as pessoas não caiam neste engodo”, refere Manuela Ferreira Leite.

Manuela Ferreira Leite sublinha ainda que Portugal necessita mais do que nunca de investimento estrangeiro e que, tal pode não acontecer, caso o país continue sem “saber o futuro e anuncie mudanças à lei laboral”.

“A primeira pessoa que pediu uma auditoria foi António Costa”

A atribuição de 476 milhões de euros do Fundo de Resolução ao Novo Banco foi o tema central na discussão do Orçamento do Estado. Sobre isto, Manuela Ferreira Leite refere que este é um caso que “mostra bem a situação em que está a política em Portugal”.
 

O que está em discussão é que há um acordo entre o Governo e o Novo Banco sobre determinados montantes até perfazer uma determinada quantia - que os portugueses continuam a pagar - e que chega a um momento em que são tantos os montantes que os deputados querem ver a fatura”, diz.

 

A primeira pessoa que pediu uma auditoria foi o António Costa, e agora insulta de irresponsável quem a quer”.

Manuela Ferreira Leite admite que o PSD esteja a ser visto como um dos principais responsáveis por este chumbo, mas adverte que o PCP tomou uma decisão bem mais dura.

Quem tomou uma posição mais dura foi o PCP, que diz que quer ver as faturas e nem mais um cêntimo. O grande apoio do Governo diz bem pior do que a oposição”, explicou.

Redação / HCL