Esta semana ficou marcada pela aprovação do Orçamento do Estado para 2021, numa votação que contou com o voto a favor do PS, as abstenções de PCP, PAN, PEV e das deputadas não inscritas Joacine Katar Moreira (ex-Livre) e Cristina Rodrigues (ex-PAN) e com os votos contra de Bloco de Esquerda, PSD, Chega, CDS e Iniciativa Liberal.

No seu comentário semanal na TVI24, Manuela Ferreira Leite começou por destacar aquilo que considerou ser um debate pautado pela agressividade: "Não me recordo de ter visto uma discussão entre partidos com esta agressividade".

A antiga presidente do PSD destacou a postura do PS, sobretudo na pessoa da líder do grupo parlamentar, Ana Catarina Mendes, que colocou o Bloco de Esquerda ao lado da direita.

A posição do PS foi inusitada. Não se limitou a defender o Orçamento, teve partes em que denunciava conversas e acordos prévios com o Bloco de Esquerda, o que não me parece elegante", acrescentou.

Manuela Ferreira Leite fala no traçar de uma "linha vermelha" entre a esquerda e a direita, algo que, no seu entender, posiciona o PS na esquerda radical: "Pelos vistos o PS é um partido radical de esquerda", disse, comentando as críticas dos socialistas à posição bloquista.

Para a comentadora, este marca um ponto de divisão entre PS e Bloco de Esquerda, que dificilmente vai ser amenizado.

O PS meteu-se num grande sarilho. Cortou com o PSD quando disse que não queria negociar o Orçamento. Corta de forma radical e pública com o Bloco de Esquerda. Está a construir uma crise política que provavelmente deseja", afirmou, acrescentando que António Costa fica "num beco sem saída".

Manuela Ferreira Leite fala mesmo numa "falta de respeito" pelo parlamento depois da troca de acusações entre os dois partidos. Como consequência, a antiga líder dos sociais-democratas entende que o PCP ganha força nas negociações para a especialidade do documento.

A atual posição do Bloco de Esquerda demonstra, no entender da antiga ministra das Finanças, que houve, nalgum ponto destes cinco anos, algum "oportunismo".