No seu espaço de comentário desta semana na TVI24, Manuela Ferreira Leite começou por analisar a discussão sobre a revisão do Estatuto do Ministério Público. A comentadora defendeu que este é "um tema importante, que mexe com a Constituição do Estado, a sua idenpendência e funcionamento", mas criticou a maneira como o Governo tratou o assunto.

Este tema, em vez de ser discutido publicamente, foi resolvido de forma bizarra. Temos também a Lei de Bases da Saúde. Estes temas estruturantes deviam ser discutidos de forma pública, para que os portugueses saibam o que defendem os diferentes partidos, já que estamos perto de eleições. Na prática, não se pode dizer que estes temas tenham sido debatidos", explicou.

A antiga líder do PSD abordou também as mais recentes divergências entre as posições do PS, Bloco de Esquerda e PCP. Para a comentadora, "isto não está a acontecer por acaso".

Ferreira Leite destacou as declarações do líder parlamentar do PS, Carlos César, que afirmou, esta semana, que "o Bloco de Esquerda não mandava no Parlamento, nem no Governo".

Custa-me a crer que o líder parlamentar fizesse uma afirmação, no mínimo pouco diplomática, sobre um parceiro de governação. Duvido que Costa não soubesse que Carlos César fosse fazer aquela afirmação", salientou.

A ex-ministra das Finanças lembrou que "o povo português foi enganado nas anteriores eleições, quando Costa não anunciou que, caso não ganhasse as eleições ou não ganhasse com maioria, faria coligação com o Bloco e o PCP". E, neste momento, tem receio que "esteja a ser preparado um novo engano".

Receio que o PS e o Bloco estejam a encenar uma divergência para agradar as pessoas que não gostam da geringonça. Se não for isso, é pelo menos uma desconsideração e desprezo do Governo para com os bloquistas. Estamos em verdadeira campanha eleitoral e acho que este é o principal ponto que está a ser trabalhado de forma metódica e cirúrgica", considerou.

A entrevista que Mário Centeno deu à TVI também foi um dos temas abordados por Manuela Ferreira. A comentadora da TVI disse que, ao ouvir a entrevista, concluiu que "o Governo está sem rumo". 

O único objetivo parece ser cumprir o défice e ter umas contas equilibradas. E não cabe ao ministro das Finanças definir a estratégia do Governo. Quem tem de o fazer é o primeiro-ministro, que depois distribui responsabilidades aos ministros. O papel do ministro das Finanças não é mandar no Governo, mas sim condicionar as opções do primeiro-ministro. É avisá-lo dos custos das decisões", explicou.

Ferreira Leite criticou ainda que nunca se ouça dos vários ministros do Governo o que pretendem fazer nos seus setores. 

Só ouvimos o ministro das Finanças exclusivamente falar do orçamento e condicionar todos os ministros que não abrem a boca", acrescentou.

A comentadora da TVI referiu ainda que quando Mário Centeno foi questionado sobre o estado do SNS "respondeu apenas sobre quantos funcionários já contrataram e quanto dinheiro já deram", não falando nunca do funcionamento dos hospitais.

Só responde com números. Já se demitiu um ministro da Saúde e esta parece que não existe, mas fora isso as respostas são apenas números, dados pelo ministro das Finanças. Na entrevista, Centeno não falou também, por exemplo, do que pretendem fazer para as empresas, um setor fundamental para o crescimento da economia portuguesa.