Paulo Portas começou o habitual comentário de domingo, no Jornal das 8 da TVI, por analisar a vista do primeiro-ministro português, António Costa, a Angola. Uma visita que o comentador da TVI diz que “tinha de ser feita” e marca, acima de tudo, “um virar de página” nas relações entre os dois países.  

É ainda mais importante que esteja já marcada a vinda do presidente de Angola a Portugal, em novembro. E é muti simples perceber porque é que nós perdemos algum tempo e algum terrenho que tinha de ser recuperado. E esta visita permitiu começar essa recuperação.”

Paulo Portas reforçou com dados concretos a importância estratégica das boas relações com Angola para a economia portuguesa: “As nossas exportações para Angola caíram de 4.7 mil milhões de euros para 2.8 mil milhões de euros, nos últimos três anos fechados. E o número de empresas que está a trabalhar o mercado angolano caiu de 9440 para 5838. Angola era o nosso quarto cliente e passou a ser o oitavo.”

Para o comentador, “Portugal não pode dar-se ao luxo de não deixar de ter muito cuidado com Brasil, Angola, Moçambique, Guiné, São Tomé e Cabo Verde”.

Foi muito importante virar esta página e que Portugal saiba encontrar o seu papel no desenvolvimento de um dos países mais extraordinários países de África", sublinhou.

“A senhora May foi vexada no Conselho Europeu”

Outro dos assuntos abordados foi o Brexit. Paulo Portas citou Churchil para falar do processo de saída do Reino Unido da União Europeia: "A situação do Brexit parece-me um enigma, dentro de um mistério, envolto um segredo."

A senhora May foi vexada no Conselho Europeu. E uma coisa é ela estar fraca e outra coisa é os ingleses gostarem de ver uma primeira-ministra do Reino ser vexada e humilhada", disse.

Paulo Portas adivinha que "na cabeça dos dirigentes europeus há uma espécie de subdiscurso, que não está à vista": "É que, no fundo, no fundo, eles querem-na fazer cair e querem um segundo referendo.”

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O comentador até coloca a hipótese de haver um segundo referendo, mas lembra que há prazos que já não é possível cumprir.

Quando as coisas são muito complicadas o melhor é voltar ao que é simples. O Reino Unido decidiu sair da União Europeia. Eu defendo um compromisso, porque acho que nós precisamos (nomeadamente em matéria de segurança) desta ligação forte. (…) Aquela  decisão tem consequências e, em vez de andarem à procura de um acordo que ninguém entende e que tem partes impossíveis talvez seja mais simples fazer um acordo amigável como aquele que o Canadá, que nunca foi da UE, tem com a UE."

Táxis: "Não é justo dizer que não se evoluiu nada"

Sobre o protesto dos taxistas, Paulo Portas considerou que "a lei, num Estado democrático, não deve proibir o que a sociedade não censura". 

É manifesto que existe procura na sociedade portuguesa a serviços como os da Uber ou derivados. Aliás, os taxistas sabem de tal maneira isto que há uma aplicação concorrente da Uber que nasce dos taxistas. Chama-se MyTaxi. Os próprios taxistas já perceberam a evolução da sociedade."

O comentador lembrou que "já houve uma evolução legal relevante", que conduziu à Lei Uber, que os taxistas querem evitar que entre em vigor. 

Esta nova lei que gera tanto protesto obriga plataformas como a Uber a registarem-se no IMT, a terem seguro como os táxis, a terem limite de horas no condutor, a terem formação profissional. Os carros têm de ter uma idade máxima. Não é justo dizer que não se evoluiu nada."

O comentário deste domingo ainda se debruçou sobre as eleições no Brasil e sobre o acordo entre o Vaticano e a China