Maria João Avillez, no seu espaço habitual de comentário, analisou a polémica relativa à comunicação de dados de ativistas que se manifestaram em Portugal com as autoridades russas e mostrou-se surpreendida por Medina ter agido sem que se saiba qual é a posição do Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre o tema.

A comentadora lamentou, primeiramente, o discurso de defesa do PS, “que tentou fazer crer que era a direita que estava contra” esta partilha de dados.

Mas a questão é nacional, não é uma questão burocrática. Não se pode invocar leis que estão em desuso como se esta polémica coubesse numa questão meramente legal”.

Avillez referiu ainda o comentário de Rui Moreira, que na TVI saiu em defesa de Medina e disse que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa “não pode saber tudo aquilo que se passa sempre”, para salientar que falta responder a uma pergunta mais importante: “A Câmara Municipal de Lisboa tem relações diretas com embaixadas estrangeiras? O ministro dos Negócios Estrangeiros autorizou alguma vez essa relação direta?”.

Sobre esta pergunta, a comentadora exige que se perceba em que contexto, em que dimensão e quem está envolvido neste pacto. “É necessário outro tipo de explicações”.

Como é que Medina atua desta forma sem autorização expressa do Ministério dos Negócios Estrangeiros?”, questiona Maria João Avillez, destacando que esta foi uma prática habitual nos últimos anos e que teve como objeto manifestantes israelitas e venezuelanos.

Sublinhando que Fernando Medina continua sem explicar a gravidade do assunto que está envolvido e que insiste em lançar ataques à oposição, Avillez reitera que “há uma certa habituação do PS ao poder, no sentido em que acha que não são necessárias explicações políticas.”

Maria João Avillez argumenta ainda que toda esta polémica não se resolve, nem se explica, com um pedido de desculpas. “Falta o resto. O resto é tudo, falta a explicação de Medina”.

/ HCL