Angela Merkel está de saída da política, depois de mais de 16 anos ao comando da maior economia europeia, e as eleições legislativas que procuram encontrar o seu sucessor estão a aproximar-se. 

A menos de uma semana do voto eleitoral, o ministro das Finanças e vice-chanceler social-democrata, Olaf Scholz, do SPD, parece ser mesmo o favorito dos alemães para substituir aquela que é uma das mais marcantes figuras políticas europeias do século XXI. 

Há uma certa vontade de mudança. Sai Angela Merkel e as pessoas querem que alguma coisa seja diferente. Essa mudança será tanto maior ou tanto menor dependendo da coligação que se vier a fazer”, explicou.

Para acontecer uma “grande mudança”, o analista político considera ser necessário que pelo menos um dos dois grandes partidos políticos passe para a oposição, acrescentado que deverá ser a CDU (partido dos democratas cristãos) a ficar de fora.

Para já, grande parte dos analistas apontam como coligação mais provável uma aliança entre o SPD, de Olaf Scholz, com Os Verdes e com os Liberais. No entanto, Portas não descarta ainda uma hipótese, ainda que menor e mais complexa, de uma aliança de “todas as esquerdas”. Algo que seria inédito na maior economia da Europa. 

Sobre o vazio político deixado na liderança europeia por Angela Merkel, o comentador da TVI destaca Mario Draghi, “autor da mais ambiciosa bazuca europeia” como a maior “estrela em ascensão” e alguém a manter debaixo de olho. 

Outro dos temas escolhido pelo comentador da TVI, é o mal-estar entre a França e os Estados Unidos após o anúncio de uma nova aliança, com a Austrália e o Reino Unido, que fez com que os australianos cancelassem a compra de submarinos militares a uma empresa francesa com capital estatal, optando por comprar submarinos nucleares aos norte-americanos.

Para Paulo Portas, a situação é de uma gravidade extrema e representa um passo claro na oficialização de uma nova “Guerra Fria”. 

Se alguém quiser encontrar uma data para o início formal dessa nova Guerra Fria - chamo a atenção e sublinho ‘fria’ - eu acho que aconteceu esta semana”, frisou.

O comentador explicou que a primeira vítima desta aliança trilateral foi a França.“França sente-se apunhalada. (…) os Estados Unidos e a Austrália não se portaram bem com os aliados europeus e já tinha sido assim na questão da saída do Afeganistão”, recordou.

No entanto, o Paulo Portas relembra que a França também teve uma ação unilateral ao querer ser “uma terceira via” na dicotomia geopolítica entre China e os Estados Unidos no indo-pacífico. 

“A China está a levantar o tom e a fazer sucessivas violações do espaço aéreo de Taiwan e o presidente Xi Jinping foi muito claro ao dizer que, seja por onde for, Taiwan voltará ‘à casa mãe’”, disse Paulo Portas.

Olhou ainda para os números da vacinação na Europa, onde Portugal pode mesmo vir a ser um dos primeiros países a atingir a marca de 85% da população inoculada com a vacina contra a covid-19. Para Paulo Portas, grande parte do mérito tem de ser atribuído a Gouveia e Melo.

Todos sabemos que as coisas não começaram bem. Acho que é mais do que justo dizer que elas melhoraram significativamente com a liderança do vice-almirante”, destacou o comentador.

Com o aproximar da marca de 85% da população portuguesa vacinada com as duas doses da vacina, Portas confirmou que já há portugueses a tomar uma terceira dose.

Já há portugueses com a terceira dose. A terceira dose não é um agendamento ou um autoagendamento como as anteriores. Tem de ser o médico a pedi-la", revelou.

No entanto, admite que a Direção-Geral de Saúde esteja a considerar administrar a terceira dose em portugueses com mais de 65 anos, ou seja, mais de 2,4 milhões de portugueses.

O histórico líder do CDS-PP disse ainda que mais de duas mil terceiras doses já agendadas para serem administradas em imunodeprimidos e que a task-force para a vacinação irá acabar e dar lugar a um núcleo coordenador

João Guerreiro Rodrigues / JGR