O julgamento do ataque à Academia do Sporting, em Alcochete, serviu de mote para um debate na Circulatura do Quadrado, da TVI24, esta quarta-feira, sobre o problema da violência no futebol.

José Pacheco Pereira afirmou que as claques de futebol são como "associações criminosas que atuam à luz do dia", com o apoio das direções dos clubes, e a sociedade acha isto normal. "Os senhores do futebol escapam sempre pela chuva", vincou.

"Temos em Portugal associações criminosas. Acho que a classificação de terrorismo generalizada como está é um erro. Mas há associações criminosas que atuam à luz do dia com o apoio de distintas instituições a começar pelas direções dos clubes. São mantidos numa espécie de gueto e, mesmo assim, a sociedade acha normal."

Para o comentador da TVI24 a solução passa por "proibir este tipo de associações criminosas e punir os dirigentes dos clubes que as utilizem para atacar clubes adversários, para intimidar pessoas nas assembleias".

António Lobo Xavier não concorda. O comentador da TVI24 defende que a solução não é proibir simplesmente as claques. "Acho que nem é possível por causa do direito de associação", acrescentou.

O comentador da Circulatura do Quadrado afirmou que "há vários exemplos em Portugal de que os clubes manipulam as claques e utilizam as claques para fins impróprios", mas considera que não deve haver "uma proibição geral da alegria organizada".

Isso não quer dizer que deva have uma proibição geral da alegria organizada ou do apoio dos cheerleaders. Todos os desportos coletivos têm as suas figuras de apoio, os seus rituais de apoio. (...) Creio que a solução não seja proibir simplesmente as claques. Acho que nem é possível por causa do direito de associação."

 

Mas Pacheco Pereira contrapôs, defendendo que "a alegria organizada é uma espécie de trade off".

A alegria oiganizada, como diz o Lobo Xavier, é uma espécie de trade off: vão lá fazer a festa como podem invadir o campo para bater nos jogadores se eles perderem um jogo."

 

 

Jorge Coelho, por sua vez, referiu que a violência no futebol não se deve só às claques. O comentador da TVI24 sublinhou que não concebe um espectáculo desportivo sem alegria e sem cânticos e que o problema não é das claques, que existem desde sempre, mas dos caminhos que estas seguiram.

Eu não concebo um espectáculo desportivo sem alegria, sem cânticos, isso faz parte. As claques existem desde que há futebol. O problema não é das claques, é dos caminhos que as claques seguiram, transformando algumas delas em organizações de mal porte."