No seu espaço de comentário na TVI24, Manuela Ferreira Leite analisou a eleição de Ursula Von der Leyen para presidente da Comissão Europeia, a entrega do pré-aviso de greve dos motoristas para o dia 12 de agosto, a aprovação do projeto de lei do PAN de aplicação de multas a quem atirar beatas para o chão e ainda a redução da carga fiscal como proposta do programa eleitoral dos partidos de oposição.

Lei das beatas: "A consciência cívica das pessoas não se trata com punições”

Em breve, o gesto de atirar beatas para o chão pode ser punido com uma multa entre os 25 e os 250 euros. A Assembleia da República aprovou esta terça-feira, em especialidade, a proposta de lei do PAN, com votos a favor do PS, BE e os Verdes, a abstenção do PSD, PCP e alguns deputados CDS-PP.

Manuela Ferreira Leite disse que é contra qualquer medida que tenha como objetivo alterar comportamentos com recurso a punições.

Não sou nada defensora, diria até que sou contra, quando se trata de alterar comportamentos, seja do que for. Isso não se faz através de punições. É a mesma coisa que educar um filho ou à pancada ou por conversa com ele. E eu não gosto da pancada. Aquilo que é a consciência cívica que as pessoas devem ter não se trata com punições”.

A comentadora da TVI24 admite que existe uma maior consciencialização e preocupação das questões ambientais e das alterações climáticas, mas alega que a mudança de comportamento deve ser feita através da sensibilização e não através de punições. 

Manuela Ferreira Leite foi mais longe e disse que as pessoas vão andar "aterrorizadas" e vão sentir-se "perseguidas". De acordo com a comentadora, o facto de não existir nenhuma base de dados que identifique a pessoa que atirou a beata para o chão, isso significa "que é tudo na base da denúncia"

Isto é um filme de terror que passa a instalar-se junto das pessoas”.

Porque das duas uma: ou os polícias assistem ao gesto e autuam o cidadão, ou as pessoas veem e denunciam às autoridades.

A antiga líder do PSD disse ainda que esta medida parece de um regime autoritário, que não se preocupa com a sensibilização e que executa de imediato. O que dá a entender, na sua perspetiva, que se trata de uma caça à multa.

A única coisa que se vê é que há uma caça à receita. É mais uma fórmula para ir buscar dinheiro”.

Greve dos motoristas: "Agora, já não há surpresas. Nem por parte dos sindicatos, nem por parte do Governo”

Os sindicatos Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas e Independente dos Motoristas de Mercadorias entregaram, na segunda-feira, o pré-aviso de greve para dia 12 de agosto.

Para Manuela Ferreira Leite este é o momento chave para se percerber se o Governo "aprendeu a lição", ou se vai cair no mesmo erro de deixar um país inteiro paralisado. 

Na ótica da comentadora da TVI24, nem o Governo nem os sindicatos em questão estavam consciencializados das consequências da paralisação daquele setor. Alega que, apesar de o Governo não poder intervir nas negociações entre privados, o impacto que esta paralisação tem na economia do país merece uma atenção redobrada por parte do Executivo, para se evitar cenários caóticos como os vividos no período de Páscoa.

Dá a sensação que na primeira greve foram todos apanhados de surpresa (...) Agora, já não há surpresas. Nem por parte dos sindicatos, nem por parte do Governo”.
 

Assim, espera que o Governo já tenha uma estratégia delineada para prevenir aquilo que já não é surpresa e garantir serviços mínimos necessários e as fórmulas para o fazer executar. Caso as coisas voltem a falhar, Manuela Ferreira Leite atribui a responsabilidade ao primeiro-ministro, ao ministro da Economia e ao ministro da Administração Interna. 

Redução da carga fiscal "já não vende votos"

Estamos em pleno período de campanha para as legislativas de outubro e os partido já apresentaram aquelas que são as suas propostas do programa eleitoral. Os partidos de oposição defendem uma redução da carga fiscal, sobretudo nas empresas.

O facto de estarmos em campanha eleitoral leva a que se defenda que quando se fala em redução de impostos seja considerado eleitoralismo”.

Manuela Ferreira Leite defende que a redução dos impostos não se trata de eleitoralismo, mas sim de uma via para fomentar o crescimento económico. Da mesma maneira que, o Governo de António Costa, considerou que o aumento do rendimento das pessoas também era uma forma de o fazer.

Defender a redução de impostos é uma outra via para fomentar o crescimento”.

Comentou ainda que ficou surpreendida com um inquérito que questionou se os portugueses preferiam uma redução nos impostos ou uma melhoria dos serviços. A maioria respondeu que preferia uma melhoria dos serviços. A comentadora mostrou-se surpreendida e disse que "a redução da carga fiscal já não vende votos"

Eleição de Ursula Von der Leyen: "Fico mais impressionada com o currículo"

Foi eleita, pela primeira vez, uma mulher para presidente da Comissão Europeia. O cargo foi assumido por Ursula Von der Leyen. Manuela Ferreira Leite disse que "assinala" o facto de ser uma mulher eleita para um alto cargo da União Europeia, mas que fica mais surpreendida com o currículo da alemã.

Assinalo o facto de ser uma mulher, mas fico mais impressionada com o currículo. Tem um currículo fora do comum: médica, ginecologista, mãe de sete filhos. Portanto, tem uma carreira que nem sequer era uma carreira política”.

Deixou elogios às preocupações do cariz social no currículo de Von der Leyen, enquanto ministra da Defesa no governo de Merkel.

Tem um currículo excecional. Parece-me ser uma pessoa que defende as ideias com uma enorme convicção e muito determinada, mas serena e tranquila”

Manuela Ferreira Leite espera que a alemã seja "a lufada de ar fresco" que a "Comissão Europeia que estava a precisar”

Por fim, adimitiu que toda a Europa tem grandes expectativas na forma como Ursula Von der Leyen vai enfrentar e defender o desafio que tem pela frente, e que não existem grandes críticas a fazer-lhe, dentro da Comissão Europeia, a não ser as de cariz ideológico.