Pedro Pardal Henriques, vice-presidente do Sindicatos Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), e André Matias de Almeida, porta-voz da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), estiveram no Jornal das 8, desta segunda-feira, numa entrevista conjunta com Miguel Sousa Tavares e Pedro Pinto.

O SNMMP e o Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM) entregaram esta tarde o pré-aviso de greve para dia 12 de agosto. Pedro Pardal Henriques começou por explicar que o falhou nestas negociações "foi o facto da ANTRAM ter voltado atrás com aquilo que nos fez desconvocar a greve".

Inicialmente, os motoristas de matérias perigosas pediam um salário base igual a dois salários mínimos nacionais, 1.200€, acordámos que iríamos reduzir este nosso pedido para 900€, a pedido da ANTRAM, e concedemos um prazo de dois anos e meio para que se adaptassem, ou seja, até janeiro de 2021", afirmou Pardal Henriques.

De acordo com o SNMMP, o acordado seriam os 700€ de salário base em janeiro de 2020, em 2021 seriam os 800€ e 900€ em 2022. E tinha sido este o acordo que levou os sindicatos a desconvocar a greve agendada para 23 de maio. 

A ANTRAM veio agora dizer 'sim senhor, muito obrigado' por terem desconvocado a greve, mas nós já não vamos aumentar o salário base em 2021 e em 2022. Aceitamos o que está escrito para 2020, nos outros anos nós não vamos aceitar"

A ANTRAM desmente e diz que "não corresponde à verdade que o documento que foi assinado tenha feito desconvocar a greve. O que estava em cima da mesa era um pré-aviso de greve, não uma greve, nós não estavámos em greve"

André Matias de Almeida vai mais longe e diz que a ANTRAM nunca se vinculou num aumento salarial de 100€ em 2020 e mais 100€ em 2021.

O teor desta declaração, e está escrito preto no branco no ponto 7, estava sujeito à validação dos associados de ambas as estruturas e foi isso que asa entidades foram fazer (...) os nossos associoados disseram que não e as duas partes voltaram a sentar-se à mesa".

 

Neste sentido, Miguel Sousa Tavares se a ANTRAM tinha negociado aquilo que, à partida, já sabia que não poderia cumprir e disse ainda que o protocolo criado, a 17 de maio, "não diz nada e que é completamente vago"

André Matias de Almeida disse ainda não estar habituado, nem ele nem o país, "a greves em 2019, relativas a revindicações de 2022 e é disto que estamos a falar (...) aquilo que o sindicato, neste momento, pede não é discutir as contrapropostas com a ANTRAM".

A esta afirmação, Miguel Sousa Tavares alega que o SNMMP "vai fazer uma greve para uma revindicação que não sabe se vai ser cumprida daqui a um ano e meio ou dois anos e meio, e propõem-se paralisar o país todo e liquidar o ano turístico às empresas já este ano e sai daí pedindo desculpa aos portugueses".

"Anos de seca que eram excecionais estão a tornar-se normais"

No espaço de comentário no Jornal das 8 da TVI, Miguel Sousa Tavares falou das alterações climáticas e da seca, que estão a tornar a falta de água na Índia insustentável.

A falta de água tem-se agravado dia após dia e há várias cidades da Índia que podem ficar sem água em 2020.

“Há um setor que surpreende o país e ninguém deu por ele"

Assunção Cristas, líder do CDS-PP, também foi entrevistada no Jornal das 8, por Miguel Sousa Tavares e Pedro Pinto, onde se mostrou indiferente às sondagens negativas do partido para as legislativas de outubro, que apontam para uma percentagem muito próxima da do PAN. Falou ainda da greve dos motoristas agendada para 12 de agosto, dizendo que isso mostra a "incapacidade do Governo", e explicou as propostas do CDS-PP para uma descida da carga fiscal.