Manuela Ferreira acusou, no seu espaço de comentário na 21ª Hora da TVI24, o Partido Socialista de estar a fazer uma campanha eleitoral para eleições deste ano, europeias e legislativas, de "engano" e "desinformação".

Em primeiro lugar, a ex-líder do PSD afirmou que o Governo está a "usar a máquina fiscal para fins políticos e partidários". Ferreira Leite defendeu que há uma "fantasia" em relação ao dinheiro que vai ser entregue aos contribuintes através dos IRS.

Em 2018, foram feitos acertos nos escalões do IRS, mas não foram feitos os respetivos acertos nas retenções na fonte. Portanto, reteve-se no ano passado muito mais dinheiro do que aquilo que deveria", explicou. 

Segundo Manuela Ferreira Leite, é esse dinheiro que foi retido a mais no ano passado que vai agora ser devolvido às pessoas com o IRS. 

As pessoas emprestaram dinheiro ao Estado gratuitamente e o Estado financiou-se gratuitamente através da retenção na fonte do rendimento das pessoas. E agora gabam-se que estão a dar às pessoas quase um 15º vencimento", alertou.

O Governo já anunciou que este ano a devolução com o IRS atinge os três mil milhões de euros, o que, para Ferreira Leite, "é um valor inemaginável". 

As pessoas votam muito com a algibeira. Quem recebe o dinheiro, e não percebeu que esse dinheiro lhe tinha sido retirado no ano passado, fica agradecido por isso. Acho que é uma forma de fazer política que dá votos, mas não é a mais adequada", referiu.

Manuela Ferreira Leite considerou que o anúncio feito pelo Governo de transformar alguns edifícios públicos em residências universitárias é outro "engano". A antiga líder do PSD afirmou que, por exemplo, o edifício do antigo Ministério da Educação, em Lisboa, não está pronto para ser uma residência num futuro breve.

É um edifício com muitos andares e de escritórios. Já fiz esta observação há um ano. Na altura, questionei onde é que vão buscar o dinheiro para transformar aquele edifício numa residência para estudantes", salientou.

A ex-ministra da Educação referiu ainda que esta medida já foi anunciada há um ano e que vai voltar a ser anunciada, porque não estará em funcionamento nos próximos três anos.

Quanto ao financiamento para a transformação dos edifícios em residências, o Governo coloca a hipótese de usar o Fundo de Equilíbrio Financeiro da Segurança Social. Mas Ferreira Leite lembra que esse fundo é "constituído pelos descontos das pessoas para as reformas". Por isso, "deve ser aplicado com uma rentabilidade adequada ao objetivo". 

Não creio que essa rentabilidade vá ser obtida com empréstimos para transformar edifícios em residências de estudantes", questionou.

O objetivo é cobrar rendas baixas e acessíveis. Portanto, para que seja um investimento rentável, as residências universitárias poderão ser utilizadas para outros fins durante os períodos não letivos, ou seja, poderão ser usadas como alojamento local para turistas durante os meses de julho e agosto, com anunciou o secretário de Estado do Ensino Superior. Ferreira Leite criticou essa medida, uma vez que o alojamento local está a ser controlado pelo Governo em muitos bairros de Lisboa.

Isto são anúncios que não são reais, eu não acredito que sejam", sublinhou.

 

Lei para proibir PPP na Saúde serve para "fingir que se resolve os problemas do SNS"

Para Ferreira Leite, criar uma lei que proíba as parcerias público-privadas (PPP) no setor da Saúde - medida que o Bloco de Esquerda diz ter acordado com o Governo - não resolve os problemas do Sistema Nacional de Saúde (SNS). 

Perante a falha grave do Governo face ao setor da Saúde, que se deve à falta de investimento e organização, o objetivo desta lei é fingir que se resolve os problemas do SNS e falar disso junto às eleições", defendeu.

Com essa proposta, Manuela Ferreira considera que se destrói o serviço privado de saúde. "E quando se quer destruir o serviço privado de saude, numa altura em que o público não chega, não se está a defender o interesse público, mas sim o interesse partidário. E as pessoas devem ter consciência disso", alertou.

A comentadora da TVI24 lembrou ainda que os problemas do SNS, consequência da falta de investimento, são conhecidos há muito tempo e que nada foi feito pelo Governo.

Quando se diz que já se aumentou não sei quanto número de médicos e enfermeiros é verdadeiramente uma afirmação enganosa. Isto porque esses números não são suficientes para cobrir os que saíram. Portanto, pode ter-se aumentado mil médicos, mas se saíram dois mil continuamos em escassez", justificou, acrescentando que "estamos em campanha eleitoral na pior das desinformações possível".

 

"A situação do país é mal contada"

Manuela Ferreira Leite afirmou que o Governo de António Costa não conta a verdadeira situação atual do país. "É mal contada e tudo está numa base de uma história mal contada", defendeu.

Além disso, nunca conta que a história do Governo anterior tem a ver com a história do Governo que o antecedeu. Não foi o Governo anterior que não fez nada para as residências dos estudantes. Não foi o Governo anterior que não fez nada na Saúde, que não fez nada na Segurança Social e noutros setores. Fez coisas mal, mas esteve numa situação resultante da maneira como o PS deixou o país, com o Governo de José Sócrates e o anterior", sublinhou.

A ex-líder do PSD afirmou que no Governo anterior, de Passos Coelho, nos primeiros tempos, "não podiam fazer outra coisa porque estávamos em rutura financeira e faziamos o que nos mandavam fazer e não tinhamos solução". 

Depois, Ferreira Leite lembrou que criticou a política seguida pelo Governo social-democrata, porque, quando já não era necessária a austeridade, o PSD, "com algum excesso de selo", fez o país passar por "momentos desnecessários".

Mas este Governo fez pior que o Governo anterior. Fez a mais do que é necessário. Ninguém nos obriga a estar com um défice de 0%. E isso não é nenhuma fonte de glória, bem pelo contrário. Deve ser uma fonte de vergonha. Ter um défice 0 com o SNS como ele está obrigadinho mas não quero", defendeu.

A comentadora da TVI24 afirmou que é "profundamente crítica da política que atualmente está ser seguida" pelo Governo socialista. 

Estamos a fazer poupança tendo como consequência um sacrifício enorme dos portugueses, que é absolutamente inútil. Não temos nenhum benefício da União Europeia, a não ser um prestígio de natureza pessoal", reiterou.