Manuela Ferreira Leite comentou esta quarta-feira no seu espaço de comentário da 21.ª Hora o debate do Estado da Nação, o último desta legislatura. Começou por destacar a posição do Bloco de Esquerda e do PCP na discussão.

O Bloco de Esquerda fez uma intervenção como se fosse um partido da oposição”, declarou Manuela Ferreira Leite, que continuou afirmando que o BE não o é, mas sim um partido de apoio ao Governo.

Já quanto ao Partido Comunista, a antiga ministra diz não ter sentido a mesma postura.

O PCP não tanto porque o tipo de intervenção que fizeram não foi deste estilo e o BE foi assumidamente este estilo por parte de todos os intervenientes”, sublinhou.

Em resposta aos problemas levantados, o Governo falou em “herança”, que Manuela Ferreira Leite argumentou não poder ser referida.

O PS fala de herança como se o pior período não fosse provocado por si”, concluiu. "Nos primeiros tempos, as medidas que Centeno tomou eram corretas”, afirmou a comentadora, antes de se referir às declarações do Governo sobre o total de investimento feito nos últimos anos.

O ministro sabe que o investimento só se fez em termos de anúncio” porque o valor para a ferrovia está no Orçamento, mas não saiu porque Centeno não deixou, assumiu Manuela Ferreira Leite.

Em análise estiveram ainda as propostas para as próximas eleições legislativas, numa corrida que já começou e com forte aposta na carga fiscal.

Caso o PS não tenha maioria absoluta, tentará fazer a coligação com o Bloco e PCP”, adiantou, antes de assumir que acredita “que todos os partidos devem ser claros quanto aos acordos que farão”.

Houve ainda espaço para comentar as propostas do PSD para os próximos quatro anos em matéria fiscal, por comparação às que o Governo tem aplicado nos últimos quatro.

O modelo que Mário Centeno estabeleceu resume-se a um corte enorme na despesa e aumento de impostos e assim é evidente que o défice tem de reduzir, mas isto tem como consequências positivas o equilíbrio das contas, mas tem consequências muito negativas do ponto de vista do funcionamento dos serviços. Portanto, o resultado desta politica é este: é que o défice se reduz, mas tudo o resto está pior”, destacou a social-democrata.

O défice tem de ser reduzido não à conta só de corte na despesa e aumento de receita, mas pelo crescimento do país, e esse crescimento do país implica a redução de impostos, a redução da carga fiscal. E ao fazer a redução da carga fiscal, a receita aumenta por via do crescimento e não por via da carga fiscal”, continuou.

Manuela Ferreira Leite diz confiar nos números apresentados por Rui Rio, que fala numa descida de 1.8 mil milhões de impostos para as empresas e de 1.9 mil milhões para as famílias.

Tenho confiança de que ninguém está a inventar números”, disse. “Não podemos esperar crescer sem ser pelas exportações e pelo investimento”, rematou, concordo com os princípios apresentados por Rui Rio no Jornal das 8 de segunda-feira, na TVI.

Não há hipótese de pôr o país a crescer com este nível de carga fiscal”, concluiu a comentadora.