Manuela Ferreira Leite considerou, esta quinta-feira, que, por uma questão de coerência, o PSD não deve votar contra a proposta de redução da Taxa Social Única (TSU) para as empresas, caso o assunto chegue ao parlamento.

Apesar de ter frisado, várias vezes, que não concorda com a solução encontrada em concertação social para o aumento do Salário Mínimo Nacional (SMN) para os 557 euros – nomeadamente “trocar” a descida da TSU pelo aumento do salário mínimo - Ferreira Leite lembrou que o PSD também quis fazer o mesmo durante a legislatura conjunta com o CDS (ainda que, aparentemente, se tratasse de uma medida temporária), com a agravante de querer trocar a descida para as empresas por um aumento da TSU para os trabalhadores.

Eu já tinha dito que discordava que [o aumento do salário mínimo] fosse conseguido através da TSU. Acho que é uma forma absolutamente errada de conduzir a situação. (…) [Mas] sobre essa matéria o PSD devia estar calado, o máximo que devia fazer era abster-se na votação. [Caso contrário] isto torna-se numa luta política, que é realmente uma característica triste que nós temos neste momento: não conseguimos ver um conjunto de pessoas unidas para resolver os problemas do país."

“Vemos as pessoas desunidas, cada uma delas a considerar que tem a solução do país na mão e [vê-se] muito pouca objetividade, pouco realismo e muito pouco sentido de Estado”, acrescentou.

No seu espaço de comentário semanal, na 21.ª Hora da TVI24, Ferreira Leite esclareceu que sempre foi contra este acordo, já que a perda de contribuições pode acarretar problemas para Segurança Social no futuro.

[O aumento do SMN] só com esta fórmula, sou absolutamente contrária a que ela exista, já fiz essa crítica há muito tempo, não é de agora. Não se pode. Daqui a uns anos começamos a dizer que existem uns buracos na Segurança Social, que a receita não é suficiente e esquecemo-nos de todas as medidas que fomos tomando e que prejudicaram a Segurança Social nas suas contribuições.”

A ex-presidente do PSD criticou, também, Imposto de Selo sobre os pagamentos com cartões, que começou a ser cobrada pela Unicre em dezembro, afirmando que vão acabar por ser os clientes a pagar a taxa.

Ferreira Leite considerou, igualmente, “absolutamente inaceitável” que ninguém tenha falado no imposto até agora, quando ele está inscrito no Orçamento do Estado para 2016, aprovado em março do mesmo ano.

O pequeno comércio, neste momento, tem umas margens baixíssimas (…), se em cima disso lhes atribuem mais qualquer coisa, evidentemente que vão repercutir isso sobre os consumidores. [Estes últimos] a única alternativa que têm é pagar com dinheiro. (…) [O Governo teve] vergonha de dizer que iam inventar ali um local onde era possível agravar o imposto de selo e ficaram calados para ver se passava despercebido.”