Portugal regista ao longo das últimas duas semanas uma clara tendência de descida e de controlo da pandemia de covid-19, depois de em janeiro ter andado nas bocas do mundo como o pior país em termos de novos casos e mortes.

Num mundo quase paralelo, Paulo Portas decidiu iniciar a sua rubrica Global pelo Open de ténis da Austrália. Em Melbourne, onde Novak Djokovic venceu a grande final, o grande destaque foi para a presença de oito mil pessoas na bancada, numa altura em que o resto do mundo vê este cenário apenas como uma miragem.

Parece outro planeta, outro mundo, e se calhar, foi outra maneira de fazer as coisas, que lhes permite terem resultados que permitem ter uma vida muito mais normal", assinalou.

Voltando ao novo normal, e numa altura em que Portugal continua a cumprir um duro confinamento, seguindo "a trajetória necessária", que deve ser consolidada, para que não voltemos a "por tudo em risco".

Com a queda de contágios e a estabilização do índice de trasmissão (RT, atualmente em 0,7), há também uma diminuição dos internamentos e das mortes.

Para Paulo Portas é de assinalar que Portugal tenha, "finalmente", saído do topo de países com mais casos por 100 mil habitantes da União Europeia: "Finalmente saímos do pódio, depois de quatro semanas absolutamente penosas".

Aludindo aos dados do Instituto Nacional de Estatística, que aponta para um cenário negro no que toca às mortes por covid-19 em janeiro, o analista não deixa de assinalar a descida nesses dados.

Esta descida no número de contágios diários vem sendo acompanhada por uma descida na capacidade de testagem. Paulo Portas reconhece "algumas explicações para isso", mas alerta que "não podemos abrir a sociedade com este nível de testagem".

Estamos com um número muito baixo de testes", aponta.

O analista lembra que, em cenário de confinamento, é natural que exista menos circulação, o que leva a menos probabilidade de contágio e a menos testes.

O que é mais surpreendente é que a nova instrução da Direção-Geral da Saúde ainda não migrou para a realidade", referiu, abordando a nova política de testagem, que prevê um alargamento do rastreio.

 A nível europeu, explica Paulo Portas, Portugal "já esteve muito melhor", sendo que a nossa posição em termos de testagem na Europa é de 16.º.

Uma das coisas essenciais para o caminho seguinte é que precisamos de ter testagem e rastreio, se não queremos enganar-nos outra vez", vincou.