Numa semana marcada por vários percalços na vacinação contra a covid-19 na União Europeia, nomeadamente pelas incertezas relativamente à vacina da AstraZeneca, está instalada a desconfiança em torno do produto.

O comentador Rui Moreira lembra que as vacinas contra a covid-19 apareceram em tempo recorde, pelo que a população "sabia que estava a correr um risco, um risco moderado".

Vincando que os casos de reações adversas à vacina da AstraZeneca são muito raros, o analista entende que houve "mensagens desencontradas" entre os Estados-membros da União Europeia.

Como grande consequência de toda a polémica, Rui Moreira teme duas consequências: o aumento da desconfiança em torno da vacina e o atraso no plano de vacinação.

Corremos o risco de haver pessoas que se recusam a ser vacinadas. Pelo meio atrasou-se o programa [de vacinação], o que é ainda mais grave", referiu.

Ainda sobre os impactos deste percalço na vacinação, Rui Moreira refere que os atuais níveis de vacinação não são suficientes para Portugal atingir o objetivo de ter 70% da população vacinada até ao fim do verão.

O analista aponta mesmo que a capacidade de vacinação deve subir drasticamente para que se possam atinigr esses objetivos: "A situação é preocupante. Neste momento só vacinámos 4% da população portuguesa. Isto quer dizer que vamos ter de vacinar qualquer coisa como 120 mil pessoas por dia" para atingir esse objetivo.

Recorde-se que, das quatro vacinas já aprovadas para utilização na União Europeia (AstraZeneca, Moderna, Pfizer e Janssen), apenas as primeiras três já estão a ser distribuídas, sendo todas de duas doses.

Desta forma, Rui Moreira vê com "tristeza e preocupação" que os portugueses que se recusem a ser vacinados passem para o fim da prioridade, ainda que perceba a norma das autoridades, dada a urgência do plano.

No mesmo sentido, o comentador entende que os portugueses vão aderir ao plano de vacinação, como aponta que tem vindo a ser feito de forma genérica. Assim, pede que seja prestada a melhor informação, por forma a evitar situações de recusa de vacinação.