Depois de ter tido um início de ano verdadeiramente aterrador no que toca a casos e a mortes por covid-19, Portugal parece agora começar a controlar a pandemia. Esta segunda-feira foram pouco mais de 1.300 os casos, números só vistos no fim de 2020, ainda que este seja um dia que é reportado na sequência de um fim de semana.

Perante este cenário, o Governo continua a manter um cenário de confinamento generalizado até meio de março, mais um mês, portanto. O grande objetivo passa por diminuir os níveis de internamento, nomeadamente em cuidados intensivos. Há pouco menos de 800 doentes graves, e o Executivo pretende atingir a meta dos 200 antes de começar a aliviar as restrições.

Para Fernando Medina, este é o ponto fulcral, que "significa que estamos numa enormíssimia pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde", pelo que o alívio de restrições não seja, para já, aconselhado.

Há um consenso no país de que nós não podemos fazer nada que nos faça regressar à situação de angústia que tivémos há poucas semanas atrás", afirmou.

Segundo o comentador da TVI, este é um consenso que também se alarga ao espetro político, entendimento esse que espera que se mantenha ao longo dos próximos tempos.

Para março, e segundo o também presidente da Câmara Municipal de Lisboa, é possível fazer um planeamento para o curto prazo, nomeadamente os meses que decorrem entre abril e o verão, numa altura em que os grupos de maiores risco estarão já, correndo tudo bem, vacinados.

Vacinados os grupos de risco estamos a falar de uma doença que terá um impacto social  e sobre o Serviço Nacional de Saúde completamente diferente", reiterou.

Perante isto, Fernando Medina reconhece nas novas variantes um novo risco, até porque não há ainda certezas sobre a eficácia das vacinas perante as mutações detetadas.

Em retrospetiva, o analista pede que se olhe para trás para distinguir o que correu bem e o que correu mal, aliando isso a uma nova política de testagem, que pode massificar o combate à covid-19.

Temos tempo para pensar e uma reflexão para fazer em conjunto", disse.

Com a economia gravemente afetada pela crise provocada pela pandemia, as previsões apontam para um ano difícil para Portugal. Ainda assim, Fernando Medina lembra que o processo de recuperação será muito mais rápido do que noutras crises: "Estamos com uma crise de procura induzida por regras sanitárias que impedem essa mesma procura".

Com a chegada da vacina, explica, e depois de levantado o "bloqueio", a economia terá um crescimento da procura "muitíssimo rápido".