A Função Pública realizou esta quinta-feira a primeira grave desde março de 2020, altura em que a pandemia de covid-19 chegou a Portugal. No seu habitual espaço de comentário na TVI24, Manuela Ferreira Leite entende que esta paralisação "não era expectável".

Não era expectável que, num contexto de pandemia, houvesse uma greve desta natureza. São pessoas que têm com certeza rendimentos baixos, em todo o caso, está o país ainda a enfrentar-se com desemprego, restrições e fome", considerou.

Para a analista, a realização de uma greve neste contexto não pode ter a mesma explicação. Assim, Manuela Ferreira Leite entende que uma eventual reforma da Administração Pública, que poderá constar do Plano de Recuperação e Resiliência, terá sido a causa da paralisação.

A comentadora indica que nenhum dos sindicatos recebeu esta alteração, e que até a discussão pública existente tem apenas "duas ou três linhas", quando o conteúdo do que foi enviado à Comissão Europeia será "muito superior".

Bruxelas, sobre o problema da Administração Pública faz algumas exigências. Mais, faz algumas ameaças de que certos apoios não virão para o país caso isso não se faça", acrescentou, comparando o cenário atual com a época da Troika.

Assim, Manuela Ferreira Leite vê uma atenuante para a realização de uma greve nacional em tempos conturbados.

Sobre a atuação do Governo em todo este caso, a comentadora diz-se "surpreendida" com a ministra da Administração Pública, dizendo que era preferível falar diretamente com os sindicatos, explicando-lhes o que está em causa, sobretudo a proposta de digitalização do setor público.

O Dia Nacional de Luta foi marcado por greves em diversos setores, "com uma grande adesão por parte dos trabalhadores", segundo a Frente Comum, que promoveu também uma concentração em Lisboa, para responsabilizar "o Governo e não apenas um ministro ou outro pela ausência de resposta" àqueles trabalhadores.