No habitual espaço de análise e comentário de Paulo Portas aos domingos, a subida de casos de infeção pelo novo coronavírus foi tema central, com o comentador a acreditar que, no fundo, o “o Governo não achou credível o aparecimento de uma segunda vaga”.

Sublinhando que a média europeia de novos casos por 100 mil habitantes se sustém nos 76, Portas chama a atenção para a média portuguesa - 79 - e afirma que há, agora, uma dupla pressão sobre os serviços de saúde. 

A pressão do covid-19 voltou a aumentar e deixa para trás uma série de milhares de consultas não-covid”, explica o comentador, sublinhando acreditar que, com base nos números de fatalidades, na pressão na saúde e nos novos contágios diários, “o Governo, no fundo, não achou credível o aparecimento de uma segunda vaga”.

 

No dia em que o número de utilizadores da aplicação StayAway Covid chegou ao milhão, Paulo Portas deixa um aviso:  “dos duzentos e tal códigos que os médicos deram a utilizadores, só 55 é que comunicaram o resultado positivo”. 

“O que fizermos de útil na app é o que precisamos para colmatar a ausência de pessoas para fazer inquéritos. epidemiológicos”, explicou.

Em relação à remodelação de secretários de Estado que viu, entre outros cinco, Jamila Madeira ser substituída por António Sales, Paulo Portas salientou que, embora as eleições legislativas tenham ocorrido há um ano, há já “um certo travo a fim de ciclo”. 

“Porque a base de recrutamento para secretários de Estado são gabinetes ou chefes de gabinetes, esta remodelação  quer dizer que o perímetro para recrutar já não excede o partido”, explica.

De Portugal para o mundo, “Global” foi palco para uma análise do relatório de setembro da OCDE que, no geral, mostra que a “economia mundial pode estar menos mal do que aquilo que se supunha antes”.

Muito desta previsão advém do fator Ásia e do fator Estados Unidos. 

 

A China, caso único, terá um crescimento económico de 1,8%, enquanto a Coreia do Sul só cai 1,0%. A grande surpresa para Paulo Portas é mesmo os Estados Unidos que caem 4,8% este ano, mas têm uma recuperação positiva já em 2021 (4,1%).

Na Europa, a queda é muito maior -7,9% e só recupera 5,1% em 2021 -  e um dos fatores é o tempo de reação à pandemia

Paulo Portas destacou ainda o fluxo migratório na Europa e argumentou que, a menos que se faça demagogia, não há nenhum fluxo migratório grave.

 

“Grave é que a Europa saiba que tem campos de refugiados e deixe lá as pessoas sem condições”, afirma, sublinhando que, ao contrário do que dizem muitos populistas, “a Europa precisa de migrações, porque estamos a envelhecer de forma dramática. A idade média de um europeu passará os 50 anos rapidamente”.

A meses das eleições presidenciais nos Estados Unidos, o comentador explica como Biden sofreu uma pequena descida nas sondagens, mas que continua a aposta segura em termos de política externa.

 

 

 

 

Por outro lado, Trump tem o trunfo de uma economia robusta no pré-pandemia, onde o rendimento médio de um americano subiu 6,8% nos últimos sete anos, situando-se nos 68.700 euros.

/ HCL