Paulo Portas considerou, este domingo, no espaço de comentário Global, que as autoridades portuguesas foram desleixadas na gestão do desconfinamento e que foi por isso que a situação assumiu algum descontrolo na Região de Lisboa e Vale do Tejo.

O que falhou entre meio de maio e hoje, quando as autoridades decidem (e bem) desconfinar (para proteger a Economia) foi que não fizeram um plano de contingência e foram desleixadas.”

No espaço que assina aos domingos, no Jornal das 8 da TVI, Paulo Portas lembra que “a arte está em chegar ao infetado rapidamente e fazer o mapeamento dos contactos, porque são potenciais contagiados”. De acordo com a análise do comentador, faltou gente para fazer o mapeamento dos contactos dos casos positivos: “Não percebo como não foram buscar gente ao exército, aos finalistas de sociologia, pelo menos para os inquéritos.”

Os números da pandemia em Portugal estão a afetar negativamente a imagem de Portugal lá fora: “Portugal está há semanas a ser avaliado. Neste momento temos 15 dos 27 países da União Europeia com restrições mais ou menores à viagem para Portugal ou ao regresso de uma viagem para Portugal. Perdemos a última oportunidade que tínhamos para salvar a época turística, com a reabertura das fronteiras e o regresso dos voos. As autoridades portuguesas desleixaram-se.”

O que dizem os cientistas é que isto é mais uma réplica do que uma segunda vaga. O que me preocupa na atitude pouco profissional das autoridades no desconfinamento é que, se isto aconteceu numa réplica, então, temos de nos preparar muito melhor para uma eventual segunda vaga que chegue no outono.”

Passámos diretamente de dizer que somos os melhores do mundo para dizer que o mundo está contra nós e isso não faz sentido nenhum.”

“Portugal não recupera depressa”

Paulo Portas analisou ainda a revisão das previsões da União Europeia para a Economia portuguesa: “Nas últimas previsões da Comissão Europeia, Portugal perderia 6,8% do seu PIB este ano. Um Trimestre depois, Portugal perde 9,8% do seu PIB.”

Há muito poucos países que melhoraram as suas previsões. Curiosamente um deles é a Grécia. Estas previsões são trabalhadas até ao final de junho. É possível que já incorporem algum maior impacto no caso português no setor do turismo, que tem o peso que todos sabemos que tem na construção de riqueza como Nação. E é um desafio suplementar para o novo ministro das Finanças, porque a Comissão Europeia colocou as novas previsões no ar, praticamente no mesmo dia em que o novo ministro das Finanças atualizava as suas previsões. Qual é a diferença? O Governo acha que o PIB cairá 7,7% a Comissão Europeia acha que o PIB cairá 9,8%.”

O comentador lembrou que “fazer projeções com o grau de incerteza que a Covid-19 ainda tem é um pouco um atrevimento, mas as empresas, os mercados, aqueles que aconselham o investimento, obviamente olham para estas coisas. Segundo as previsões da Comissão Europeia, Portugal não recupera depressa. Isso é penalizador para nós.”

Os portugueses só recuperarão o nível que tinham em 2019 em 2022. Há quem comece a fazê-lo mais cedo. São dois anos da nossa vida, para além dos anos da dívida soberana, para além das dívidas do Lehman Brothers… já é muito ano nas últimas duas décadas.”

Portugal é o 25º em 27. Coletivamente e particularmente o Governo, temos de pensar nisto. Pior que Portugal só mesmo a Itália e a Espanha.”

Sucessor de Centeno: “Não é nenhum inexperiente”

Paulo Portas analisou também a eleição do sucessor de Mário Centeno à frente do Eurogrupo e lembrou que é “autor de artigos com espessura intelectual e filosófica. Não é nenhum inexperiente, acabado de chegar.”

Acho que os países que têm sistemas fiscais competitivos se juntaram e votaram no irlandês. Não esquecer que o Irlandês foi o homem que disse não à taxa do digital. Porque se não os gigantes digitais do mundo saem da irlanda e são milhares de pessoas no desemprego. (…) Há muitos países na Europa que não estão disponíveis para aumentar sucessivamente os impostos, quando querem recuperar. Para recuperar, normalmente, baixam-se impostos.”

“Biden tem algumas hipóteses”

Começando por se referir às imagens que mostram Donald Trump a usar máscara em público pela primeira vez, Paulo Portas lembrou que a pandemia pode ter grande influência nas eleições presidencias previstas para o outono.

Nos Estados Unidos, há estados que desconfinaram, outros que desconfinaram gradualmente e outros estados que tendo desconfinado tiveram que voltar atrás, muito ou alguma coisa, e não são uns estados quaisquer. São alguns dos estados que são decisivos para a eleição de Novembro. São estados como a Florida, como o Texas (jamais um candidato republicano ganhará se não ganhar no Texas), como o Arizona, como o Michigan, como a Carolina do Sul, como o Colorado. São estados ‘swing’, que andam entre os republicanos e os democratas e onde a eleição se decide por muito poucos votos. São precisamente esses estados que tiveram de voltar atrás.”

E conclui: “Biden tem algumas hipóteses (para não dizer bastantes neste momento) de ser eleito presidente dos Estados Unidos”.

/ Publicado por MM