A proposta de Orçamento do Estado foi entregue pelo Governo, na passada segunda-feira, na Assembleia da República. Tal como se encontra, os habituais parceiros do Partido Socialista, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português, já fizeram saber que vão votar contra o documento, o que pode conduzir o país para uma crise política.

No seu habitual espaço de comentário, Maria João Avillez lembrou que foi o Presidente da República quem alertou para uma possível crise política, no entanto, sublinha que nenhum dos partidos políticos parece estar disposto a arriscar ir para eleições. 

Penso que nenhum dos partidos queira eleições. Há todo um leque de más possibilidades que se abririam com essa solução”, destacou.

Para a comentadora, essa solução também não é do agrado de António Costa, que, mesmo tendo “emitido muitos sinais de segurança” após as eleições, uma vez que percebeu ter havido “uma certa vitalidade à direita”.

Um cenário onde o país vai para eleições antecipada também não será um cenário desejado pelo Bloco de Esquerda, que Maria João Avillez diz ser um partido que “não tem a mais pequena implantação nacional”, sem capacidade de ter uma Câmara Municipal. Para o PCP, o cenário não é mais animador.

O Partido Comunista teve o que teve nas eleições. Não diria que está num definhamento, mas está a sumir-se um bocadinho do mapa político. O PCP está a elevar a fasquia, pedindo 15 para ver se obtém 7,5”, realça.

Maria João Avillez relembrou que há um ano a conversa na esfera pública sobre o debate do Orçamento do Estado podia ter sido idêntica e criticou aquilo que considera ser “um jogo onde quem perde é o país”.

Entre cedências, surpresas, suspense, truques, avisos, vai-se jogando. Deverão existir mais cedências aos partidos de extrema-esquerda para lhes aprovarem o Orçamento. Se António Costa tem gerido bem esse tipo de coisas até hoje, o país tem empobrecido de cedência em cedência”, explicou.

Essas cedências, critica a comentadora, têm asfixiado as empresas e destruído o tecido empresarial português. O Governo, “em Portugal, não se acarinha a indispensável criação de riqueza” e, no seu entender, preocupa-se com o que é que vai dar à extrema-esquerda.