No espaço de comentário semanal na TVI24, Manuela Ferreira Leite analisou as previsões da Primavera apresentadas, esta quarta-feira, pela Comissão Europeia, das quais se prevê uma recessão de 6,8% para Portugal. Uma das consequências da pandemia de Covid-19. 

No entanto, parece que Portugal não está assim tão mal na fotografia, uma vez que a previsão de recessão para os países da União Europeia (UE) é 8,3% e para os que integram a zona euro 7,7%.

Não sei muito bem como é que isto se lê, porque, normalmente, quando se fazem previsões, fazem-se com base na evolução de determinados elementos que compõem e que contribuem para determinado resultado. Acontece que tudo são incertezas. Nós não temos certezas de quase nada. (...) há elementos fundamentais para as consequências da evolução da nossa economia, ou da economia europeia, que estão diretamente relacionadas com decisões que a própria União Europeia ainda não tomou".

Manuela Ferreira Leite referiu que o resultado "não muito mau" do país se deve ao facto de a média da UE estar "bastante marcada pela evolução daqueles países que têm economias mais fortes" e que, por isso, não devemos ficar otimistas.  

O facto de estarmos abaixo da média não significa que para nós, Portugal, isto não seja um valor muitíssimo grave e preocupante". 

Lembrou ainda que o projeto do Conselho Europeu de ajudar financeiramente os países afetados com a Covid-19, ainda nem sequer concluiu se essa ajuda vai ser dada através de empréstimos ou de subvenções. 

Na ótica da comentadora, não há solidez nenhuma para estas previsões, cujos resultados podem ser bastante diferentes dos agora a anunciados. 

Eu tenho receio, mas pode ser que assim não seja, que isto seja uma base que possa servir de pretexto para na discussão dos apoios a dar aos diferentes países, de alguma forma de orientação para distribuir aquilo que há para distribuir". 

Nesse sentido, alerta que isso pode prejudicar Portugal, porque Bruxelas pode considerar que existem países mais afetados pelo novo coronavírus e que, por isso, têm direito a uma maior ajuda. Por essa razão, estas previsões devem ser olhadas com desconfiança e cautela.

Chamou ainda a atenção para alguns setores que vão sofrer, e que podem não sobreviver, com o impacto desta pandemia, como a restauração e as companhias aéreas. 

Sobre as previsões de desemprego, Manuel Ferreira Leite considerou os números "arrasadores". Explicou que estão ligados à estrutura económica de cada um dos países e que vão depender muito do turismo, "que vai ser o último setor a conseguir reerguer-se desta situação".

Cláudia Évora