Manuela Ferreira Leite, no seu espaço de comentário na 21.ª Hora da TVI24, defendeu o pagamento de prémios da TAP.

De um modo geral, as pessoas reagem mal quando se fala em prémios. Eu não faço parte dessas pessoas. O mérito deve ser valorizado e não tratado por igual”, começou por dizer a comentadora.

Manuela Ferreira Leite salientou que, mesmo que a empresa tenha tido resultados negativos, “metade do capital é público e 50% não é, por isso a decisão é dos privados”. Para além disso, não ficou claro se o prejuízo poderia ter sido maior se não fosse a ação dos trabalhadores que receberam os prémios de desempenho.

O que me incomodou mais foi a falta de enquadramento. Isto só assim dá crítica, mas acho que nos limitamos muito a discutir o detalhe, em vez de vermos o aspeto global. Faz-me sentido que haja prémios, mesmo em situação de prejuízo. O que me incomoda é que não é só este caso, são variadíssimos casos de notícias que são apenas parte da realidade. Uma empresa tão importante como a TAP, pela dimensão e pela função, não se sabe mais nada sem ser dos prémios. Ocupámos muito tempo a discutir isto e pouco sobre o que se passou na TAP para haver prejuízo.”

Outro tema em destaque foi a situação atual do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Para a ex-ministra das Finanças, é excessiva a preocupação que se está a dar à Lei de Bases da Saúde e das parcerias público-privadas perto das legislativas.

O subfinanciamento do SNS tem-se agravado e vai agravar-se progressivamente. É um sistema que toda a vida esteve subfinanciado e vai estar sempre”, observou, lembrando que o ponto fundamental é que não há dinheiro suficiente e “não é com uma lei que surge de repente” que se vai solucionar o problema.

Manuela Ferreira Leite aponta ainda que esta é “uma questão política”, que está “a entrar na raia do absurdo”, porque uma nova Lei de Bases da Saúde não é solução e a questão das PPP depende das ligações público-privadas.

É um problema ideológico. Os partidos que apoiam o Governo não querem ouvir falar de PPP por ideologia”, disse, garantindo que “numa situação em que precisamos do setor privado, não faz sentido que o ponhamos de banda por uma questão de ideologia. Pior: a proposta que o Governo com tantos ‘ses’ que eu me pergunto se há alguém que invista nestas circunstâncias." 

Segundo a comentadora, por causa desta “birra ideológica” podemos estar a pôr em causa a saúde do SNS.

Para terminar, a comentadora da TVI falou sobre a Educação . A autonomia curricular em Portugal fez com que um conjunto de matérias não fosse aceite, por isso, “há um setor que não entra nas comparações com os outros países”.

Deixámos de estar no ranking dos outros países, o que eu acho de tal forma grave que pode ter uma implicação significativa na vida dos estudantes.”