A menos de três horas de serem conhecidas as projeções da segunda volta das presidenciais no Brasil, Paulo Portas analisou no seu espaço de comentário Global, no Jornal das 8 da TVI, as estratégias dos candidatos e o andamento das sondagens até este dia D, para constatar que "seria muito difícil uma reviravolta" e Fernando Haddad conseguir vencer Jaird Bolsonaro.

O encurtar da distância nas últimas sondagens, para uma diferença entre 8 a 10 pontos, é "o resultado de Haddad ter conseguido alguns apoios independentes e Bolsonaro ter escolhido aquilo que no futebol uma estratégia de catenaccio, ou seja, totalmente defensiva, sabendo que tem uma liderança no sentimento dominante: o maior partido é o anti PT, anti Lula".

O chamado "saco cheio", frisou. "Saco cheio de sair à rua e poder levar um tiro; de o país perdido mais de 10% da riqueza do país com a recessão em que o PT o colocou; o PT duplicou a dívida; e há corrupção à escala continental", enumerou.

Sabendo que tem essa vantagem, evitar cometer erros, não se export, não sair de casa (até com a alegação médica), não participar em debates, só aparecer através do facebook. Há uma estratégia mais ofensiva de um lado [Haddad] do que do outro, [e a estratégia defensiva] tenderá a eleger Bolsonaro"

O candidato de extrema-direita beneficiou do "triunfo da chamada democracia digital". Portas não é "adepto", considera que "tende a radicalizar e a emocionalizar as eleições em todo o lado", mas constata que Bolsonaro "teve 15 segundos de televisão durante a campanha eleitoral" e que a campanha digital foi eficaz.

Classificando o que aconteceu na primeira volta de "tsunami", Paulo Portas deu alguns exemplos nesse sentido, como o facto de 60% dos governadores terem sido eleitos pela primeira vez. Por isso, "Bolsonaro para governar vai ter de nefociar muito, vai rpecisar muito da democracia e da negociação parlamentar".

Outra coisa inédita é que "as igrejas e as seitas pentecostais são mais relevantes na atividade política do que a igreja católica", atualmente, no Brasil. "E eles apoiaram Bolsonaro".

Se o militar vier a ganhar, a herança económica será "melhor do que Temer recebeu", com uma "inflação controlada e juros baixos".

O grande desafio vai ser mesmo "a segurança". "Bolsonaro é militar e militares tendem a achar que numa crise estas exército tem de ter poderes de segurança".

Eleições parlamentares norte-americanas

Este foi outro tema em análise no comentário deste domingo. A taxa de aprovação de Donald Trump está em -7,8, sendo que Portas ressalvou que as eleições parlamentares, que serão já em novembro, "têm muita abstenção, o que conta são votos mais militantes".

"Se as eleições fossem hoje, Trump perderia o Congresso por muito pouco e manteria o Senado reforçando a sua maioria. Vida mais difícil porque lhe vão fazer mais oposição, mas impeachment seria muito difícil com esta configuração", acrescentou.

Há dois acontecimentos que podem interferir: os ataques contra antigos presidentes (por intermédio de cartas com explosivos, até ao momento todos interceptados) e a marcha dos migrantes.

Se a violência favoreceu democratas, poder haver uma enxurrada de pessoas pode favorecer Trump"

Orçamento de Itália chumbado

Na Europa, o chumbo do Orçamento do Estado de Itália para o próximo ano agitou a última semana. Quanto a este ponto, Portas entende que a "Comissão Europeia está dividida entre fazer de mais ou fazer de menos"

E isto numa altura em que estamos a poucos meses das eleições europeias. 

/ VC