No seu espaço de comentário "Global", no Jornal das 8, Paulo Portas começou por analisar as eleições legislativas de Espanha deste domingo. As primeiras projeções dão a vitória ao PSOE de Pedro Sanchéz, mas sem maioria. Por isso, o comentador da TVI salientou que vai haver pressão para que seja criada uma coligação de Governo à esquerda.

O Podemos vai fazer pressão para ir para o Governo com o PSOE, o que não chega para ter maioria. E isso terá consequências na política económica e na política externa", acrescentou.

Paulo Portas sublinhou que, apesar de Sanchéz continuar como primeiro-ministro de Espanha, há diferenças, uma vez que agora irá governar pelo voto popular direto e não apenas pelo voto parlamentar.

O facto de ser o primeiro-ministro eleito com menos percentagem na história democrática espanhola, algures entre 26% e 28%, não lhe tira o mérito de ter conseguido", defendeu.

Para o antigo líder do CDS, nestas eleições, a esquerda "fez a chamada disciplina republicana", uma vez que os votos no Podemos diminuiram a favor do PSOE.

Já a direita "fez um voto completamente dividido e desorganizado.

A direita só se pode queixar de si própria, porque dividiu o voto em três partidos e isso facilitou muito a vida ao partido socialista", reforçou.

Paulo Portas quis também deixar um recado para quem tem apelidado o partido Vox, que conseguiu, pela primeira vez, entrar no Parlamento espanhol, de "extrema-direita": "Se o Vox é extrema-direita e pode ser numa certa leitura, então o Podemos é extrema-esquerda".

"O primeiro trimestre da economia americana foi muito melhor do que se pensava"

O comentador da TVI analisou também a escolha do candidato do Partido Democrata dos Estados Unidos para as eleições presidenciais de 2020. Neste momento, Joe Biden posiciona-se como o nome que, à partida, irá obter o apoio do partido. E, para Paulo Portas, trata-se de "um candidato fortíssimo".

Seguramente que é aquele que mais pode disputar a presidência a Donaldo Trump, porque é o candidato mais ao centro, dentro do Partido Democrata. E nos Estados Unidos o mainstream é o centro-direita. Portanto, tem de ser uma pessoa que não ponha em causa os fundamentais da economia americana e como ela funciona", explicou.

Paulo Portas lembrou que atualmente Biden,"que tem uma história pessoal bastante impressionante e dolorosa muito respeitada pelos americanos respeitada", está apenas seis pontos à frente de Bernie Sanders, "que representa a tentação de uma viragem à esquerda do partido democrata".

Para as eleições presidenciais do próximo anos, o comentador da TVI afirmou que Donald Trump pode ter do seu lado o facto de a economia americana estar a crescer no seu mandato.

O primeiro trimestre da economia americana foi muito melhor do que se pensava. Foram 3,2% de crescimento, muito acima das previsões. Se a economia continuar a funcionar, esse é o ponto mais difícil para os democratas e melhor para Trump", justificou.

 

"Sri Lanka demonstrou uma negligência ostensiva em relação ao terrorismo"

No "Global" deste domingo, também houve espaço para analisar os atentados terroristas que têm ocorrido nas últimas semanas no Sri Lanka. Paulo Portas defendeu que houve, da parte do país, uma "negligência ostensiva em relação ao terrorismo".

Ficou notório o desgoverno ou a existência de dois governos, o do Presidente da República e o do primeiro-ministro, no Sri Lanka", disse.

Paulo Portas lembrou que, tanto os Estados Unidos como a China, avisaram o Sri Lanka e as suas autoridades de que havia a possibilidade de atentados terroristas, tendo como alvo templos católicos.

Avisaram-nos dois meses antes e várias horas antes do próprio dia. A comunidade católica oficial do Sri Lanka, que não quer qualquer confusão com estes grupos fanatizados, também avisou o Governo há dois anos para a existência daquele grupo terrorista específico", acrescentou.

"A OPA à EDP falhou porque a EDP não é uma empresa chinesa"

Paulo Portas analisou ainda a queda da OPA da empresa chinesa China Tree Gorges à EDP. Para o comentador da TVI, isso aconteceu exatamente porque a EDP não é uma empresa chinesa, mas sim uma empresa de mercado.

O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou que estiveram em causa várias "questões muito delicadas" e não apenas o preço. Por exemplo, Portas lembrou que a EDP tem ativos nos Estados Unidos e há "uma tensão entre os Estados Unidos e a China".

Além disso, Paulo Portas referiu que há outras empresas estatais chinesas que têm uma posição relevante na distribuição de energia. "Por isso, caso a OPA fosse aceite, a União Europeia, do ponto de vista regulatório, colocaria um problema de ‘não podem estar ao mesmo tempo na produção e na distribuição de energia com posições dominantes’", referiu.

Por fim, o comentador apresentou dois retratos do pintor espanhol Goya, "um dos maiores pintores da história de Espanha", que estiveram escondidos durante 82 anos. 

Estas duas pinturas, mais uma terceira, estavam escondidas há 82 anos, porque alguém teve a inteligência e a sensibilidade de, durante a guerra civil espanhola, que teve muitos bombardeamentos, colocá-las numa caixa de madeira e fazê-los sair de Espanha", contou.

As obras foram agora devolvidas a Espanha e vão ser expostos no país basco.

Goya é uma das maiores eloquências da pintura e que acho extraordinário estas obras tenham aparecido e possam encantar o púbico", elogiou.