Manuela Ferreira Leite, no seu espaço de comentário na 21.ª Hora da TVI24, deu especial destaque às eleições europeias, que se realizam daqui a quatro dias, no próximo domingo. No entanto, alertou ainda para um outro tema preocupante: a não publicação do decreto de execução orçamental.

Já são várias as críticas apontadas aos cabeças de lista por nesta campanha pouco ou nada falarem sobre a Europa. Manuela Ferreira Leite concorda com esta análise e diz que só se tem falado das questões nacionais.

No que toca às questões nacionais, fica o retrato daquilo que é o Partido Socialista. Do meu ponto de vista, se as pessoas estivessem atentas, este tipo de campanha não seria benéfica porque estamos a anunciar um mundo de ilusão”.

A comentadora da TVI afirma que para a maioria das pessoas entende que a questão europeia se centra nos dinheiros e nos fundos europeus. No entanto, alerta que a Europa é muito mais do que isso. Antigamente as forças políticas na Europa eram na sua maioria de centro, e por isso não existiam grandes perigos nas eleições, desta vez as forças políticas extremas estão a ganhar força e podem mudar o rumo do Parlamento Europeu.

Manuela Ferreira Leite considera “arrepiante” a falta de informação e a falta de interesse dos jovens portugueses na importância das eleições europeias, mas vai mais longe. A comentadora da TVI24 afirma que os estudantes têm um “azedume enorme aos políticos”, porque consideram que os deputados europeus “não fazem nada, mas ganham imenso dinheiro”.

Têm uma ideia muitíssimo negativa sobre o papel dos deputados no Parlamento Europeu. O que eu acho que não corresponde à realidade. Se há local político em que se trabalhe muito, é no Parlamento Europeu”.

Disse ainda que o Governo, ou o Partido Socialista, está a vender ilusões de medidas que não vai poder cumprir.

Se as eleições legislativas forem semelhantes a estas, nós estamos numa fantasia e a discutir um país que não existe. E, portanto, a criar ilusões que se esfumam, porque não correspondem em nada ao nosso dia a dia”.

Decreto de execução orçamental

Houve um outro assunto preocupante, e alarmante, que Manuela Ferreira Leite decidiu colocar em cima da mesa: a não publicação, em Diário da República, do decreto de execução orçamental deste ano e que, sem isso, não é possível executar o Orçamento do Estado.

Agora percebo que só vai ser publicado depois das eleições”.

Com isto, existem serviços públicos que estão bloqueados na medida em que, como esse documento não está publicado, os gestores desses serviços não podem, por exemplo, contratar pessoas porque não sabem o que é que o decreto de execução orçamental lhes permite ou não fazer. Isto desenrola problemas como a falta de pessoal na Comboios de Portugal (CP), a falta de pessoal no Serviço Nacional de Saúde e até os meses de espera para se poder renovar o Cartão de Cidadão.

Nessa perspetiva, a antiga líder do PSD acredita que, se o decreto-lei não foi até agora publicado, é porque não deve ter nada de positivo e o Partido Socialista não quer sair prejudicado por isso nas eleições.

Não vem lá nada de bom, porque se viesse já estaria publicado. Portanto, só pode ser porque vem coisas más. De restrições, de cativações… E por aqui se vê a fantasia enorme naquilo que se anuncia que vai acontecer”

Se esta situação estiver a decorrer para benefício próprio do Partido Socialista, Manuela Ferreira Leite considera não só “criticável” como “impeditivo”.

Não se pode pôr um país parado, ou a funcionar mal, em prol de objetivos que são apenas de natureza política. Se não houvesse eleições, provavelmente o decreto já estaria publicado”.

Uma falha de Mário Centeno, que a comentadora diz que “tem como objetivo único o défice orçamental. À custa de tudo e mais alguma coisa”.

Afirma que esta campanha serviu para fazer anúncios ilusórios, de coisas que nunca vão ser executadas, mas que as pessoas acreditam. Prevê uma abstenção “fortíssima” nestas eleições e que a campanha para as legislativas também se vai manter na base das falsas promessas.