Estas não são umas eleições normais. Há um choque entre duas Franças: Emmanuel Macron, um desconhecido até há três anos, 39 anos, não tem filiação partidária. Foi banqueiro e passou poucos meses pelo governo de Hollande como ministro da economia. Cita De Gaulle e diz que não é da direita nem da esquerda. O certo é que muitos franceses encaram-no como o candidato do sistema, da continuidade. A seu lado, nos bastidores, tem o tal sistema que falhou nos últimos cinco anos e que desiludiu. A começar pelo presidente que apenas deixa a imagem do homem que disfarçado vai numa moto levar croissants à namorada.


Macron é um liberal. Quer reformas laborais, despedir 120 mil funcionários públicos, aumentar impostos, manter a idade da reforma e recolocar a França como pivot numa Europa desvalida.


Marine Le Pen fez o que o pai não conseguiu. Tornou a Frente Nacional um partido popular, do operariado que sofreu e sofre as consequências de uma globalização desregulada. Assume-se como a verdadeira patriota, quer a saída da França da União Europeia e recusa o direito de nascença como argumento na sua estratégia contra os emigrantes, nomeadamente os que tendo nascido em França se radicalizaram ao Daesh.


É esta fractura que vai a votos na segunda volta, 7 de Maio.


Quem quer que vença, vai ter muitas dificuldades em formar uma maioria governável na assembleia nacional. Há eleições em Junho e o jogo político promete ser duro.


Tudo está, portanto, com um enorme ponto de interrogação.


Nos comícios e nas televisões, Macron e Marine não dão tréguas. Marcam-se mutuamente. E são ambos muito fortes do ponto de vista da comunicação. Esta é também uma eleição feita nos media e um teste às sondagens. Mais um.