Esta terça-feira foi dia de eleições para a Comunidade Autónoma de Madrid. O Partido Popular (PP) teve uma vitória avassaladora, num sufrágio que ficou marcado por uma grande derrota da esquerda, que culminou com a demissão de Pablo Iglesias do Podemos, num discurso em que anunciou também o fim da carreira política.

No espaço de comentário de Maria João Avillez na TVI24, "Direita ao Assunto", a comentadora viu a vitória de Isabel Díaz Ayuso como uma mostra do centro-direita de que é possível crescer "solidamente", apesar da força do Vox, partido de extrema-direita que tem vindo a ganhar força em Espanha.

Não tiveram de negociar, de ceder às teses do Vox. A vitória foi deles", afirmou a comentadora, lembrando um conjunto de ataques do PSOE à candidata do PP, que nunca cedeu a uma direita "simpática".

Sobre a derrota da esquerda, Maria João Avillez fala num candidato fraquíssimo quando se refere a Ángel Gabilondo, do PSOE, que teve inclusivamente consequências para o primeiro-ministro, Pedro Sánchez.

Lembrando que Pablo Iglesias até há pouco tempo era uma figura de proa da política nacional (foi vice-presidente até meados de março), a comentadora destacou a pesada derrota do partido, que culminou na demissão do líder.

Perdeu o governo, perdeu o Podemos, perdeu a política. É uma grande derrota", frisou.

Como segredo para a forte vitória de Ayuso, Maria João Avillez diz que houve um "assumir, sem complexo, de que se é um portador de um projeto assente em valores tradicionais e não transigir nem um bocadinho com o politicamente correto porque é o que está a dar".

A analista diz que esta vitória marca o início de uma carreira política em Espanha, com a eleita para a comunidade de Madrid a poder ser prejudicial para as figuras políticas nacionais, a começar por Pablo Casado, líder do PP.

Já se mostrou que ela faz melhor política que ele. Ele namoriscou o Vox e o Ciudadanos. A Isabel Díaz Ayuso é o contrário disto", acrescentou, admitindo que este passo pode marcar o início de um ressurgimento do PP em Espanha.