No "Deus e o Diabo" desta sexta-feira, José Eduardo Moniz começou por analisar o estado do Serviço Nacional de Saúde em Portugal questionando se é mesmo verdade se aquilo que o ministro das Finanças afirmou no Jornal das 8 da TVI

"O SNS está mesmo melhor agora do que em 2015? Olhe que não", afirmou o comentador da TVI, lembrando os 72 mil dias de greve no setor. 

Para falar sobre a situação que se vive no SNS em Portugal, José Eduardo Moniz teve em estúdio Roque da Cunha, secretário-geral do Sindicato Independente de Médicos, que começou por afirmar que os números das falhas de profissionais no SNS "pecam por defeito".

"Nos próximos quatro anos, só médicos de família, vão-se reformar 1850", disse.

Para o sindicalista, o grande problema é que o investimento está a ser mal feito porque "Ministro das Finanças, tal como o primeiro-ministro, têm uma preocupação: tapar o sol com a peneira e isso é que é grave".

"O problema de fundo é o seguinte, é que toda a gente sabe e afirma que há um subfinanciamento no sistema, toda a gente sabe e os números são incontestáveis, que nunca se investiu tanto no SNS como agora. Tenho de ver quais são esses números, mas a verdade é que no último triénio - os dados são do Tribunal de Contas - houve menos meios financeiros disponíveis para o Ministério da Saúde do que durante a Troika, o que é extraordinário. Estamos aqui a falar de dados de 2018", acrescentou.

No entanto, apesar de todos os problemas existentes no Serviço Nacional da Saúde, Roque da Cunha diz que continua a acreditar no setor.

"Eu aconselho sempre o SNS porque nós não podemos desistir disso (...). O Estado tem de investir. O que era preciso fazer era que os partidos políticos, todos eles, não encarassem a saúde como um local de combate político", reitera.

O secretário-geral do Sindicato Independente de Médicos falou ainda sobre a Lei de Bases da Saúde e afirmou que não é preciso uma nova lei é preciso é saber usar a que já existe.

"Não há nada que não possa ser feito com esta Lei de Bases que nós temos. O que lhe posso dizer é o seguinte: nunca pagámos tantos impostos como agora, a carga fiscal nunca foi tão grande, nunca houve uma dívida pública tão volumosa como esta matéria. Os portugueses têm direito que parte destes impostos sejam aplicados na saúde".

Sustentabilidade das contas públicas

Outro dos temas em destaque foi o excendente orçamental. Em conversa com António Costa, do jornal ECO, que considerou que há muito que está escondido no que diz respeito às contas públicas e à sua sustentabilidade.

"Infelizmente, a sustentabilidade das contas públicas, que parece muito como dizia o ministro, é mais aparente do que de facto verdadeiro".

Para o jornalista do ECO, os números revelados não revelam "a sustentabilidade de uma economia". 

"Não estamos a fazer as reformas necessárias, não estamos a crescer de forma estrutural e, portanto, com o aumento da despesa, o ministro bem anuncia mais despesa para a saúde, despesa estrutural, mas está a suportar essa dimensão de aumento da despesa com o crescimento económico que é necessariamente conjuntural. O que é que estamos a arriscar? A arriscar que vamos ter a prazo, ou podemos ter a prazo, ao mínimo abanão da Europa, uma situação de receita cair".