No seu habitual espaço de comentário, Miguel Sousa Tavares analisou as férias judiciais e questionou-se se faz sentido existir um período de interrupção completo quando “durante meio ano não houve justiça”.

Este ano, a partir de meados de fevereiro e até junho, os tribunais estiveram encerrados devido à pandemia e “mesmo quando reabriram, os sindicatos disseram que não existiam condições de segurança”. Obviamente, refere o comentador,  “é preciso recuperar dezenas de milhares de julgamentos que não se fizeram e centenas de milhares de diligências que ficaram por fazer em prejuízo dos utentes”.

Em relação aos utentes, Sousa Tavares criticou o facto de estarem sozinhos e isolados até pela Ordem dos Advogados que tem interesse na matéria. Este adiamento dos casos em tribunal faz com que, afirma Miguel Sousa Tavares, “muita gente desista de ir a tribunal pela dimensão do custo”.

 

Não têm dinheiro para estar anos à espera de sentenças. Ninguém se preocupa com isso, ninguém”, afirma, sublinhando que a ministra da Justiça não teve coragem de tirar 15 dias de férias aos magistrados.

Durante meio ano não houve justiça em Portugal. Acho escandaloso que não haja coragem para tirar 15 dias de férias aos magistrados”, critica.

O editor de Justiça da TVI, Henrique Machado, juntou-se à conversa com Sousa Tavares e analisou a notícia de que Ricardo Salgado deverá ser acusado de associação criminosa no caso BES, um caso “monstruoso” e que contém mais páginas do que a Operação Marquês.

 

Segundo Henrique Machado, as partes vão ser notificadas esta terça-feira. Em causa está a instrumentalização do BES para o financiamento de grande parte das 400 empresas que faziam parte do Grupo Espírito Santo. 

Para o editor da TVI, o crime de associação criminosa tem “uma elevada moldura penal, mas é muito difícil de provar”.

“A minha opinião é que, daqui a 10 ou 15 anos, ainda não vamos ter fim à vista”, afirma Henrique Machado.

Outro tema discutido por Miguel Sousa Tavares com Guilherme Azambuja, do movimento Cidadãos Juntos pelo Sudoeste, foi o esgotamento dos recursos hídricos da costa alentejana por estufas que não estão a ser monitorizadas e que não são licenciadas.

O avanço das estufas na região tem estado a ser “descontrolado” e a utilização das águas está a “chegar a um nível crítico” afirma Guilherme Azambuja, que garante ainda que este tipo de agricultura intensiva está a expandir-se às custas de “centenas de migrantes que vivem em aldeias de contentores no Alentejo”.

Também o atual estado da pandemia em Portugal teve destaque no espaço de análise de Miguel Sousa Tavares, que contou ainda com o virologista Pedro Simas.

 

Simas explicou que a sociedade está a viver um período onde tudo pode acontecer e em que uma segunda vaga de Covid-19 no outono dependerá do nosso comportamento, já que “o vírus não vai desaparecer”.

O especialista analisou também a carta enviada por um grupo de cientistas à OMS a alertar para o risco de transmissibilidade aérea do novo coronavírus.

Sobre este tema, Simas garante que o vírus é muito sensível à desidratação e, como as partículas no ar secam mais rápido, este tipo de transmissão é pouco provável.

 

Em destaque esteve também o rei Juan Carlos, na mira da justiça devido a alegadas fugas ao fisco.

Miguel Sousa Tavares critica o rei emérito, um homem que “criou uma fundação na Suíça para esconder o dinheiro, depois deu o dinheiro à amante e ainda escreveu uma escritura de doação que expressamente exclui os filhos”.

Tudo isto é de uma falta de vergonha absoluta. Ele não está apenas a enxovalhar o seu nome e o da casa real, está a pôr em causa o equilíbrio da monarquia em Espanha. O que ele fez é imperdoável”.

Foi um cavelheiro que se começou a comportar como um bandido”, disse.