Em relação à decisão instrutória do processo da Operação Marquês, Fernando Medina considera que, independentemente da extensão da acusação contra José Sócrates, este é “um facto da maior gravidade e singularidade”.

O comentador da TVI lembra que “o primeiro-ministro é o lugar de maior responsabilidade” no espectro político nacional, pois é o cargo em que os cidadãos depositam maior confiança. Medina realça Sócrates foi acusado por crimes cometidos enquanto exercia as funções do chefe do executivo, algo inédito em Portugal.

É a primeira vez na nossa história que teremos em julgamento um ex-primeiro-ministro e, independentemente, da natureza mais ou menos extensa do crime sabemos que é um crime em exercício de funções com uma moldura penal significativa de cerca de 12 anos”, diz Fernando Medina.

Fernando Medina realça que quem “exerce as funções de primeiro-ministro, como outro eleito, tem uma suprema responsabilidade, porque tem também um supremo privilégio que é ser depositário da esperança e da confiança de um país”.

O comentador da TVI acusa Sócrates de ter dilacerado a confiança dos cidadãos na sociedade portuguesa, lembrando que "alguém que exerce as funções de primeiro-ministro, como outro eleito, tem uma suprema responsabilidade, porque tem também um supremo privilégio que é ser depositário da esperança e da confiança de um país”.

Lamento ter que o dizer, mas é evidente que há um rompimento de laços de confiança quando há factos fundamentais de que alguém que foi primeiro-ministro recebeu avultadas quantias financeiras. Ao contrário do que era dito, não resultavam de fortuna pessoal ou familiar. Sem qualquer justificação aparente, que o próprio não dá e entendeu não dar durante todos estes anos, é algo que marca de forma absolutamente negativa o sentimento de bem-estar e de confiança na sociedade portuguesa”, aponta o comentador da TVI.

 

Fernando Medina esclarece que não entende que os políticos eleitos tenham de ser "santos", mas estão obrigados a "honrar a confiança com quem os elege"

O socialista considera que a que a confiança na vida democrática nacional foi "inapelavelmente quebrada" e que tudo o que José Sócrates, deliberadamente, optou por não explicar, ao longo de quase sete anos, é suficiente para desacreditar o poder político e a justiça.

Este é um elemento que corrói o funcionamento da nossa vida democrática. (...) Quem está na vida pública, quem respeita a vida pública, quem sente o apelo, a missão e a dedicação do serviço e da causa pública tem de honrar, acima de tudo, essa relação de confiança com quem o elege. Não precisa de ser santo, não estamos no pedestal dos santos, mas estamos no pedestal dos que conseguem honrar essa confiança e essa confiança foi quebrar. Essa confiança foi inapelavelmente quebrada e não precisa de haver nem mais crime adensado nem retirado. Aquilo que nós sabemos é suficiente ou melhor aquilo que também não foi explicado durante todo este tempo é suficiente. (...) Este caso é um manual do que está errado no sistema de justiça, reitera Fernando Medina.

 

Nuno Mandeiro