Fernando Medina esteve esta segunda-feira na "Noite24", na TVI24, onde analisou a decisão do Bloco de Esquerda, que vai votar contra o Orçamento do Estado, e ainda o quadro de grande complexidade política que se instalou nos Açores com o resultado das eleições regionais.

O comentador da TVI confessou que não entende o que motivou o BE votar contra a proposta de orçamento, afastando-se da solução política que tinha apoiado na legislatura anterior.

A entrevista de Catarina Martins é reveladora da enorme dificuldade de conseguir justificar no conteúdo do orçamento o seu voto contra. Isto marca um antes e depois das relações entre BE e PS”, referiu.

Fernando Medina destacou que a líder bloquista argumentou que o Orçamento do Estado não é suficientemente expansionista para responder à crise pandémica. Por outro lado Medina lembrou que Rui Rio acusou o Governo de ter criado uma proposta demasiado expansionista. O comentador da TVI anteviu ainda o cenário que vai ocorrer no Parlamento no dia da votação da generalidade do documento.

O que é que vai acontecer na votação da generalidade? Vamos assistir a uma fotografia que é BE a votar ao lado do PSD, Iniciativa Liberal, CDS-PP e Chega. Contra quem? Contra todos os partidos e deputados que estão no centro-esquerda. Para um partido que apostou a sua demonstração politica numa solução de fazer face à austeridade, acabar na fotografia dos partidos que defendem a austeridade é um final triste e dá razão aos que suspeitavam que esta posição se deve mais a uma questão tática do que de conteúdo”, reiterou.

Medina acusou o BE de "faltar ao país no momento mais importante" devido a uma tática partidária, acentuada pelo medo de ser o único partido a apoiar o Governo, derivado das sucessivas ameaças do PCP.

O BE falta ao país no momento mais importante. BE tinha medo de ficar sozinho no apoio ao Governo caso o PCP se afastasse”, acrescentou.

Nos Açores, o Partido Socialista venceu pela sétima vez consecutiva as eleições regionais, mas perdeu a maioria absoluta que mantinha há 24 anos.

Fernando Medina reconhece que a vitória socialista tem um sabor agridoce e que impões à região autónoma um "quadro político de grande complexidade".

Esta é a sétima vitória consecutiva do PS na região autónoma dos Açores, mas é uma vitória que tem aquele sabor agridoce”, afirmou.

Medina esclarece que há agora duas hipóteses de governação dos Açores. Ou "existe uma coligação entre PS, CDS e PPM (com ou sem o PAN)" ou teremos uma "geringonça à direita, nos Açores, composta por PSD, CDS, Iniciativa Liberal e Chega", que Fernando Medina considera um desafio considerável de gerir dado o elevado número de partidos.

Nuno Mandeiro