O presidente da Câmara Municipal de Lisboa e comentador da TVI disse esta terça-feira que um evento como as festas do Santo António não pode ser conduzido como uma final da Champions, ou uma festa restrita.

“É um tipo de evento que é absolutamente impossível pedir distanciamento e uso de máscara às pessoas”, diz Fernando Medina, sublinhando que a decisão do município prende-se com a avaliação da pandemia e com o crescimento de casos, que “confirma aquilo que era a nossa expectativa mais negativa sobre este período”.

Dessa forma, diz Medina, cancelar os arraiais populares, licenciados pela Câmara Municipal, “é a única decisão sensata e razoável nesta fase”. 

A decisão, anunciada esta terça-feira, foi tomada após a discussão com vários presidentes de Junta de Freguesia e foi consonante com as suas opiniões. Até porque, explica o comentador, “quem conhece os festejos percebe que seria impossível controlar um evento em que as pessoas circulam descontraídas e despreocupadas”.

Questionado sobre a capacidade de aplicar medidas como as das “bolhas” na final da Liga dos Campeões, no Porto, Medina sublinha que é “absolutamente incompatível termos um modelo em que vamos compartimentar grupos de 50 pessoas em Alfama”.

Vamos fechar Alfama e testar toda a gente? Ou usar um certificado de vacinação que nem existe?”, questiona o comentador, destacando que um evento restrito pode ser realizado mediante a obrigatoriedade de um teste, “mas com a circulação na via pública não se pode fazer isso, estamos a falar de cerca de um milhão de pessoas”.

Medina lança ainda um apelo a que a sociedade não deite fora todos os esforços e sacrifícios já feitos na luta contra a pandemia e classifica de esquizofrénica a “chuva de críticas” que nasceram após as imagens captadas de fãs britânicos em ajuntamentos sem máscara, feita por aqueles que na semana seguinte “criticam os responsáveis que querem ser prudentes sobre aquilo que podem decidir”.

Sobre o anúncio do candidato da Iniciativa Liberal de promover festejos no âmbito dos Santos Populares, Fernando Medina diz que “não chegou à Câmara nenhum pedido de licenciamento”. Se chegar, “será recusado”.

O comentador recusa ainda fazer uma avaliação dos acontecimentos no Porto, mas solidariza-se, especialmente após os festejos realizados no final do campeonato. “É muito difícil o controlo de manifestações na via pública no contexto desportivo”.

Com a vacinação a avançar bem e com consistência, Medina pede aos lisboetas que estejam do lado da prudência e façam mais um sacrifício.

Redação / HCL