Magina da Silva, diretor nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP), foi entrevistado esta segunda-feira no Jornal das 8, da TVI, por Pedro Pinto e Miguel Sousa Tavares. Foram abordados temas sensíveis como o racismo dentro da PSP, a associação de agente a partidos políticos ou associações de extrema-direita, como o Movimento Zero, e ainda o combate às claques violentas.

Sobre a atuação policial no caso da detenção de Cláudia Simõesa 19 de janeiro na Amadora, Magina da Silva já tinha afirmado que aquilo que viu nos vídeos que se tornaram públicos foi “um polícia a cumprir as suas obrigações e as normas que estão em vigor na PSP”, não tendo visto “qualquer infração”. Durante a entrevista voltou a reforçar o seu ponto de vista ao dizer que o polícia em causa "usou a força conforme a Bíblia dos Polícias".

Esta Bíblia depois também tem um reverso. Diz que depois de um suspeito ou de um detido estar manietado, controlado e algemado com as mãos atrás das costas, 'na condução de indivíduos algemados devem ser tomadas todas as precauções tendentes a evitar quedas ou pancadas inopinadas' e diz também 'no caso de indivíduos que mesmo após a algemagem continuem a resistir ou a apresentar comportamentos violentos, é proibida a utilização de quaisquer armas ou técnicas que impliquem impactos, podendo execionalmente optar pelo uso de gases neutralizantes'", disse Magina da Silva ao ler alguns pontos que constam da Norma de Execução Permanente (NAP). 

 

Nesse sentido, o novo diretor da PSP voltou a sublinhar aquilo que já tinha deixado claro no final da sua tomada de posse no Ministério da Administração Interna: responsabilizar os polícias que "trabalhem mal, fora da lei e fora das regras aplicadas quanto ao uso da força".

Os polícias que cumprem com as obrigações e com a lei vão ter de ser defendidos quando cumprem as suas obrigações, mesmo que isso possa não ser percetível para o cidadão que não está por dentro das normais policiais. O outro reverso da medalha é claro também. Os polícias que trabalhararem mal, fora da lei e fora das regras aplicadas quanto ao uso da força, vão ser responsabilizados"

 

Questionado sobre se há racismo ou não na polícia portuguesa, Magina da Silva alegou que "há tanto racismo na PSP como há na sociedade portuguesa", mas referiu que qualquer forma de discriminação ou extremismo deve ser combatido.

Eu costumo dizer, os polícias não vêm de Marte, os polícias nem serquer são verdes, vestem-se de azul. Os polícias vêm da sociedade portuguesa e refletem todas as virtudes e todos os defeitos da sociedade portuguesa. (...) As convicções e o que vai na cabeça de cada homem eu não posso alterar. Agora os comportamentos observáveis e as opinões que eles expressam publicamente, isso eu posso avaliar e vou avaliar".

Outra das questões colocadas por Miguel Sousa Tavares tinha que ver com a ligação de vários agentes da PSP ao Movimento ZeroMagina da Silva disse que não acreditava na existência de elementos da extrema direita infiltrados na PSP, mas, no entanto, defende que os "polícias no ativo não podem ter filiação partidária, nem podem defender qualquer partido publicamente"

Eu não estou tão seguro que haja infiltrações da extrema-direita generalizadas como se comenta. A minha perceção, e sou polícia há 35 anos, é que a política não é um assunto para os polícias. Eu, e digo isto convicto, não sei qual é a orientação política dos meus camaradas de profissão, nem me interessa".

 

Não concorda que o agentes de autoridades sejam filiados em partidos e afirmou que os "polícias no ativo não podem ter filiação partidária, nem podem defender qualquer partido publicamente".

Sem medo de dizer a estratégia que a nova liderança da PSP tem definida, Magina da Silva não quer mais esquadras, quer sim mais polícias nas ruas e mais carros de patrulha operacionais.  

Quanto mais instalações policiais tivermos, menos polícias temos na rua para acorrer às necissidades do cidadão aflito. Porque quando temos uma esquadra, apenas para manter a esquadra aberta estamos a falar de 12 homens".

Quanto ao problema das claques violentas, alegou que o combate à violência no desporto é um assunto "muito caro para a Polícia de Segurança Pública"

Não é concebível que a PSP para um grande dérbi tenha de afetar 600 a 700 polícias".

 

Magina da Silva foi mais longe e disse que se "tem de bater onde dói mais" no que toca aos adeptos violentos: "não é uma bastonada nas costas quando ele a merece, é retirá-lo de forma inequívoca de qualquer fenómeno desportivo".

O presidente do Sporting, Frederico Varandas, também foi entrevistado esta segunda-feira, no Jornal das 8, onde falou sobre a contestação de que tem sido alvo e a “luta” contra a direção das claques.

Cláudia Évora