No seu comentário semanal do Jornal das 8 da TVI, Paulo Portas lembrou que o vice-almirante Gouveia e Melo foi uma das pessoas que mais o ajudou numa "das provas de stress mais duras" que teve na sua vida pública, que foi a crise do Prestige,  petroleiro que se afundou ontem na Zona Económica Exclusiva  espanhola, quando ele era ministro da Defesa, em 2002. "Foi uma pessoa competentíssima."

Sempre defendi que fosse um militar [a liderar a task force] porque os militares sabem mandar e obedecer", afirma Portas. Uma certeza podemos ter: "Ele vai estar completamente centrado na missão e portanto não vai haver comentários laterais ou dispensáveis ou até exóticos, como aconteceu anteriormente", disse, numa crítica implícita a Francisco Ramos.

Na opinião de Paulo Portas, o novo responsável pelo plano de vacinação contra a covid-19 tem duas tarefas prioritárias: primeiro, "convencer as nossas autoridades que é preciso ter um discurso realista sobre a vacinação para não criarem expetativas exageradas" e, depois, fazer com que "de uma vez por todas", haja "uma orientação para as sobras".

Por exemplo, fazer overbooking, ou fazer como os israelitas - há uma lista de prioridades e a partir das 18.00 é vacinado quem lá está.

Comentando os outros assuntos da semana, Paulo Portas não vê motivos para criticar os pedidos de ajuda externa:  "Quando se está em estado de necessidade, não tenho nada contra que se peça ajuda", disse.

Mas não gostei do espetáculo no aeroporto." De acordo com o ex-ministro da Defesa, sempre que "há representação ministerial de um lado, tem de haver  do outro, pelo que a presença de ministros portugueses em Figo Maduro terá sido excessiva. 

Sublinhando que, apesar da redução no números de novas infeções, o país continua a braços com muitas dificuldades - "Estamos nos limites das nossas forças em termos de cuidados intensivos" -, Portas voltou a criticar o "relaxamento" permitido no Natal e no Ano Novo, e lembrou que é preciso mantermo-nos atentos.

Quem não esteve atento foi o Ministério da Educação. "As nossas autoridades não acreditaram muito na segunda-vaga e não valorizaram a terceira", afirmou o comentador da TVI, referindo-se ao atraso na decisão de fechar as escolas e à inusitada pausa letiva que termina esta segunda-feira. O motivo parece-lhe claro: falta de preparação: O ministro comprometeu-se a dar um computador a cada aluno dos 6 aos 18 anos, o que seriam 1,2 milhões de computadores. Mas até ao final de 2020 só tinham sido entregues 100 mil. Agora terão sido entregues mais 15 mil. "Em todo o caso estamos muito longe deste compromisso."

Redação / MJC