No espaço de comentário "Global", Paulo Portas começou pelo principal tema desta semana: a crise migratória que se vive em Espanha. Na ótica do comentador, este desfecho "assombroso", a que temos assistido nas últimas semanas, era relativamente previsível e trata-se de "um extraordinário exemplo de como não se deve confundir diplomacia e ideologia". 

Desde o dia 18 de abril era relativamente previsível que um desfecho destes pudesse suceder. Espanha e Marrocos são dois vizinhos de Portugal, o nosso vizinho terrestre e Marrocos que é o primeiro país amigo depois da nossa segunda fronteira que é o mar (...) O que aconteceu é um extraordinário exemplo de como não se deve confundir diplomacia e ideologia". 

Paulo Portas referiu que Espanha tem uma fronteira muito mais complexa que a portuguesa, porque envolve cinco países: Portugal, França, Andorra, Reino Unido, por causa de Gibraltar, e Marrocos, por causa de Ceuta e Melilla, que ficam no continente africano.

Reforçou que Espanha e Marrocos já tinham acordado um "modo de gestão" para garantir paz na fronteira, mas que tal só é possível se "ambos tiverem boa vontade", uma vez que esta é uma das rotas migratórias da Europa.

Espanha e Marrocos só conseguem ter paz na sua fronteira se ambos tiverem boa vontade. E tinham chegado a esse modo de gestão, porque não esquecer que esta fronteira é uma das rotas migratórias da Europa, não tanto de marroquinos, mas de subsarianos que atravessam Marrocos como plataforma para chegar à Europa".

 

É evidente que é do interesse da Espanha ter uma gestão pacífica e controlada da fronteira com Marrocos", insistiu. 

Portas alertou para o facto de que ao ter uma fronteira com Espanha, Marrocos acaba por ter com toda a União Europeia e que isso assusta muitos governos. Por isso, considera absolutamente essencial "desescalar este conflito e controlar esta rota migratória".

Houve ainda tempo para comentar a Cimeira para o Financiamento das Economias Africanas, convocada pelo presidente Emmanuel Macron, a proximidade dos verdes alemães aos Estados Unidos em vez de a Angela Merkel e a o acordo económico feito entre a União Europeia e a China.

*Nota: o programa "Global" foi gravado na sexta-feira e emitido este sábado por causa do Final da Taça de Portugal, que se joga domingo, às 20:30, e que vai ser emitido na TVI.

Cláudia Évora / CE