O relatório da Inspeção Geral da Administração Interna sobre os festejos do Sporting foi conhecido esta semana. Depois de ler o documento na íntegra, Paulo Portas considerou-o "isento", "honesto" e "factual", mas não poupou as críticas à atuação do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.

Depois da leitura fiquei com uma sensação muito clara: nós já sabíamos que o Dr. Eduardo Cabrita não tem bom senso", considerou Paulo Portas, acrescentando que "por aquele relatório ficamos a saber que não exerce autoridade".

No espaço de análise semanal na TVI, o comentador criticou o "atrevimento" do ministro da Administração Interna em contrariar o parecer de cinco entidades. 

Eu não consigo compreender como é que o primeiro-ministro o mantém, mas também não consigo entender como é que a oposição não pede uma Comissão de Inquérito, porque os factos que faltam esclarecer são muito poucos"

O inquérito da IGAI, que tem como missão assegurar as funções de auditoria, inspeção e fiscalização de todas as entidades, serviços e organismos tutelados pelo MAI, visou a atuação da Polícia de Segurança Pública nos festejos e demorou 60 dias.

Recorde-se que o Sporting sagrou-se a 11 de maio campeão português e durante os festejos ocorreram confrontos entre os adeptos e a polícia.

Milhares de pessoas concentram-se junto ao estádio e em algumas ruas de Lisboa, quebrando as regras da situação de calamidade devido à pandemia de covid-19.

Matriz de risco está desajustada e a "custar caro" para Portugal

No dia em que Portugal atinge um novo máximo de hospitalizações por covid-19 desde março, Paulo Portas explicou o que está em causa na matriz de risco.

O comentador apontou que, visto da Europa, e de acordo com a matriz de risco, "que está desatualizada e nos está a custar caro", Portugal é neste momento, em conjunto com o Chipre, o único país com risco muito alto.

Mudem a matriz de risco enquanto é tempo porque ela está desajustada", apelou o comentador.

Paulo Portas chamou a atenção para o "contínuo agravamento" da taxa de contágio nas gerações mais novas para explicar o impacto da pandemia na saúde das pessoas e no SNS.

Há uma inversão completa dos dados do contágio e isso obviamente reflete a vacinação", frisou. 

Numa perspetiva "positiva", Portas destaca que, enquanto o Governo diz, "timidamente", para o país esperar pela reunião no Infarmed de dia 27, a Ordem dos Médicos e o IST propuseram uma matriz de risco atualizada, "mais inteligente".

Acho que esta proposta faz sentido e é consistente. O R(t) é medido cada 24 horas e a incidência a sete dias, para que o país não perca tempo", salientou, apelando mais uma vez ao Governo: "Deixem-se ajudar por quem sabe".

Rafaela Laja