Paulo Portas acredita que a evolução da vacinação em Portugal vai continuar no melhor caminho: "Vem aí um abril francamente melhor", anunciou no seu espaço de comentário, "Global", no Jornal da Noite deste domingo. 

Portas considera que em abril "a Pfizer já terá confirmado que será capaz de repor as vacinas que não forneceu em fevereiro" - cerca de um milhão de doses - e também há nessa altura a "possibilidade de chegar o primeiro fornecimento da Johnson & Johnson, que é só uma dose".

Além disso, Paulo Portas afirma ter informações de que "o Infarmed se prepara para aprovar a vacina da AstraZeneca para maiores de 65 anos", à semelhança do que outros países já fizeram. 

O comentador da TVI considera que esta opção acarreta riscos e que talvez fosse mais sensato esperar pelos testes que a AstraZeneca está a fazer com a população mais idosa, mas sabe que tem também a vantagem de acelerar a vacinação. 

Apesar do "fiasco" que tem sido a vacinação na União Eurpeia, que ainda só vacinou perto de 39 milhões de pessoas (o Reino Unido já vacinou 22 milhões), a perspetiva em Portugal é positiva: "Num cenário otimista", diz, "Portugal poderá chegar à imunidade de grupo por volta de 13 de agosto, mais dia menos dia". Isto, é claro, "se não fizermos asneiras". 

Desconfinar faseadamente e com "prudência"

Olhando para o gráfico que mostra a evolução da pandemia de covid-19 em Portugal, Paulo Portas considera que "estamos na linha desejável" no que toca ao número de contágios, e sublinha a "redução significativa nas fatalidades" e do número de internados nos cuidados intensivos, embora "abaixo do desejável". 

Mas deixa dois alertas: um para o "número anormalmente baixo de testes" que estão a ser feitos e que ainda estão muito longes das metas anunciadas, e outro para o valor do índice de transmissibilidade (Rt) que, como sabemos, "já não está a baixar e nos últimos dias tem subido".

É preciso termos consciência que não há conseguimentos absolutos", avisa, mais uma vez.

É por isso que é importante perceber como e quando vamos desconfinar, diz Paulo Portas. O Presidente da República e o primeiro-ministro "estão de acordo que é preciso abrir faseadamente, começando pelo pré-escolar até ao terceiro ciclo ainda este mês". Além disso, ambos concordam que será necessário "confinar nas férias da Páscoa". Nenhum deles quer "repetir os erros do Natal".

Mas também há pontos de diferença entre Marcelo e Costa. "O Presidente teme que uma abertura demasiado apressada faça perder a entrada na primavera e tenha consequências sobre o verão", diz Portas. "E suponho que o primeiro-ministro gostaria de abrir o comércio mais cedo."

Na opinião de Paulo Portas, existem alguns "problemas críticos" que se colocam no desconfinamento. Por um lado, é importante saber "quantos rastreadores vamos ter quando as pessoas começarem a circular" e se teremos capacidade de seguir as linhas de contágios. Por outro lado, será necessário reforçar os apoios à economia, uma vez que esta terceira vaga veio afetar pessoas que até podem ter resistido à primeira e à segunda vagas mas que agora já não têm essa capacidade.

Posto isto, é importante desconfinar "olhando para as necessidades da economia e para a prudência".

O pior que nos podia acontecer seria dar um passo em falso e depois termos que nos arrepender", volta a sublinhar. "As pessoas para isso já não têm nem paciência nem tolerância."

Visita do Papa ao Iraque: "uma palavra de enorme esperança para os cristãos"

No seu espaço de comentário, Paulo Portas não poderia ignorar o grande assunto dos últimos dias: a visita do Papa Francisco ao Iraque. Um acontecimento que considera "emocionante pela bondade" ("não há nada que mude os corações e as consciências como a bondade") e também pela coragem do Papa.

E é estimulante ou arrepiante (ou as duas coisas ao mesmo tempo) pelo risco" que envolveu toda a viagem, diz.

O Papa Francisco já foi a 11 vezes a países de maioria islâmica e uma das suas maiores preocupação é explicar  "o que ele não quer que se faça em nome das religiões", aquilo que são, como disse no Iraque, "traições" às religião que, todas elas, têm uma mensagem de amor. 

Ao deixar o Iraque, Francisco "trouxe uma palavra de enorme esperança para os cristãos que têm sido tremendamente perseguidos" na região, afirmou Paulo Portas.

/ MJC