O comentador da TVI, Paulo Portas, assinou este domingo mais uma edição do seu espaço "Global". Em análise, estiveram as várias consequências do novo coronavírus, que continua a alastrar-se um pouco por todo o mundo.

O comentador começou por colocar a epidemia em perspetiva, com os dados oficiais, lado a lado, com outras epidemias que marcaram o século XXI. “Que dimensão tem este vírus na História?”, questionou Paulo Portas.

É muito inferior à chamada gripe espanhola. É muito inferior às gripes asiáticas. Muito inferior à SIDA ou às tuberculoses”, explicou. “É uma epidemia relevante, mas não está entre as mais relevantes da História, de momento”.

Questionado sobre o porquê do medo que este surto causa, em comparação com doenças mais mortíferas, Paulo Portas justificou com a globalização e a perceção da opinião pública na era digital.

É a primeira epidemia que decorre no território total da globalização e é a primeira epidemia cuja perceção ocorre sob influencia da informação digital. Para o bem e para o mal”, afirmou.

Relembrou ainda que, em tempos idos, as doenças demoravam muito mais tempo a viajar de continente em continente. “Os vírus vinham de barco e demoravam meses a chegar a outro continente”, disse.

Os números do surto foram analisados pelo comentador, que sublinhou alguns dados relevantes a reter sobre o covid-19: “Esta epidemia ataca mais os homens do que as mulheres e é mais letal para os idosos do que para as crianças”.

Pessoas com boa saúde têm uma taxa de mortalidade muito baixa”, revelou o comentador.

Paulo Portas apresentou ainda um estudo que classifica a capacidade de resposta dos vários países em lidar com uma epidemia. A lista é encabeçada pelos Estados Unidos da América. Portugal, que continua sem apresentar nenhum caso confirmado de infeção pelo novo coronavírus, “está bastante bem qualificado, em 20º lugar”.

Itália foi um dos países mais criticados pelo comentador, que classificou o Governo italiano como “bastante amador” na resposta ao vírus. “A Itália não mediu esta coisa muito simples: um dos principais destinos turísticos dos chineses no mundo é a Itália”, considerou.

 Também a Coreia do Sul esteve debaixo da mira de Paulo Portas. O país, que é um dos que apresenta o maior número de casos fora da China, teve “um azar dos Távoras”, depois de uma seita religiosa coreana que esteve em Wuhan ter trazido o vírus para o país.

“Sem alarmismos”, Paulo Portas afastou vários receios sobre o surto de coronavírus. Porém, o comentador não afastou um cenário económico complicado num futuro próximo.

Itália, que tem um crescimento muito reduzido e tem uma economia muito dependente do turismo, “entrará em recessão”. Também a Alemanha “poderá reduzir em metade o magríssimo crescimento que previa”, alerta.

Vai haver consequências económicas”, garante. “É possível que a zona euro não cresça mais de 0.6%”.